- Coleção com 666 obras de 135 artistas afro-brasileiros foi devolvida voluntariamente, maior repatriação desse tipo na história do Brasil, vindo de Detroit para o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab) em Salvador, Bahia.
- Coordenação ficou a cargo do ministério da cultura; obras incluem pinturas, esculturas, fotografias, objetos sagrados, madeira e gravuras, cobrindo diversas gerações, regiões e práticas artísticas.
- Artistas representados incluem J. Cunha, Goya Lopes, Zé Adário, Lena da Bahia, Raimundo Bida, Sol Bahia e Manoel Bonfim.
- Margareth Menezes, ministra da cultura, afirma que o retorno é gesto simbólico de reparação e reforça a centralidade das culturas negras na identidade nacional, destacando a complexidade técnica, legal, logística e diplomática do processo.
- Barbara Cervenka e Marion Jackson, responsáveis pela Con/Vida, optaram por devolver as obras permanentemente; Cervenka faleceu dias depois, aos 86 anos, após ver o desejo realizado; acervo passa a integrar o Muncab, que prepara exposição para março e ajustes no armazenamento.
A repatriação de obras de afro-brasileiros alcançou um marco histórico. Quase 700 itens — 666 obras — foram devolvidos voluntariamente a Brasil, reunindo 135 artistas afro-brasileiros. O conjunto ficou por três décadas em Detroit, nos Estados Unidos, e retornou ao Museu Nacional Afro-Brasileiro de Cultura (Muncab), em Salvador, Bahia.
A ação foi coordenada pelo Ministério da Cultura do Brasil. O objetivo é devolver à nação materiais que refletem a diversidade e a memória afro-brasileiras, abrangendo pinturas, esculturas, fotografias, objetos sagrados, gravuras e xilogravuras.
O repatriante conjunto foi originado pela Con/Vida, uma coleção do casal Barbara Cervenka e Marion Jackson. As obras foram reunidas desde 1992 e, conforme a curadora Paula Santos, as coleções foram escolhidas para retorno definitivo ao Brasil. Cervenka faleceu recentemente, aos 86 anos, após ver o desejo realizado.
As peças agora integram o acervo do Muncab, dedicado a preservar e difundir a cultura afro-brasileira. O museu aborda memória negra, identidade, culinária, religião, festas populares e tradições musicais, como samba e maracatu.
Uma celebração dedicada a Iemanjá, deusa Afro-Brasileira do mar, marcou o último evento público do Muncab antes de o espaço fechar por um mês. A inauguração da exposição parcial está prevista para o início de março, com o acervo ainda passando por ajustes de armazenamento.
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