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Reino Unido precisa pensar como país aquecido, senão as desigualdades vão aumentar

Governo britânico precisa agir para mitigar impactos desiguais das mudanças climáticas, sob pena de ampliar a vulnerabilidade de famílias de menor renda

With nine out of 10 British homes at risk of overheating, the Climate Change Committee report said that air conditioning might be the only answer.
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  • As temperaturas no Reino Unido já estão 1,4 °C acima da norma histórica e devem chegar a 2 °C nas próximas duas décadas, com ondas de calor de até 45 °C.
  • O documento do Climate Change Committee afirma que quase toda a infraestrutura e áreas de vida serão impactadas, desde transporte até moradia, escolas e hospitais.
  • A mudança climática tende a afetar mais pessoas de baixa renda, com impactos sobre gravidez, educação e habitação sem adaptação adequada.
  • Os custos de alimentos estão subindo devido a secas e perdas na produção, com expectativa de alta de preço até novembro em relação a 2021; os mais pobres serão mais afetados.
  • Especialistas ressaltam que é urgente reduzir emissões de fossil fuels e investir em adaptações, como melhoria de prédios e infraestrutura, para reduzir riscos e desigualdades.

A Grã-Bretanha precisará se adaptar a um clima mais quente, afirma um relatório divulgado nesta semana. A temperatura já está 1,4°C acima da norma histórica e pode chegar a 2°C nos próximos 20 anos. As ondas de calor podem alcançar 45°C e durar mais de uma semana, acompanhadas de secas e enchentes mais intensas.

O estudo, elaborado pelo Climate Change Committee (CCC), alerta que toda a infraestrutura do país será impactada. Transporte, energia, moradias, escolas, hospitais e casas de cuidado devem enfrentar mudanças climáticas mais abruptas e recorrentes.

Segundo o CCC, o país foi preparado para um clima que não existe mais, e as medidas de adaptação precisam avançar rapidamente para evitar que as desigualdades se agravem diante do calor extremo. O documento lembra que áreas de menor renda sofrem mais com esses efeitos.

Dados de outras pesquisas reforçam a necessidade de ações. Um estudo Wellcome mostrou maior vulnerabilidade de gestantes a altas temperaturas, com riscos potenciais de parto prematuro e complicações obstétricas por falta de arrefecimento doméstico.

Adoção de ar condicionado em escolas é citada como meta até 2050, porém orçamentos educacionais restritos podem impedir implementação uniforme. No ambiente escolar, temperaturas elevadas prejudicam resultados de avaliações, segundo a CCC.

No âmbito doméstico, noites tropicais e aquecimento de moradias devem aumentar. A maioria das residências corre risco de superaquecimento, o que pode exigir climatização para garantir sono adequado, ainda que nem todos possam arcar com esse custo.

Aonerações de preço em alimentos já aparecem. A inflação de produtos básicos tem sido influenciada por impactos climáticos nas safras, elevando a conta alimentar média em cerca de 360 libras por ano, com projeção de alta de até 50% até novembro frente a 2021.

Quanto às enchentes, famílias de baixa renda costumam ter menos recursos para medidas de proteção e reposicionamento. Por outro lado, moradores de renda mais alta podem investir em soluções próprias de prevenção, ampliando a disparidade de adaptação.

Para especialistas, a adaptação não substitui a redução de emissões. A pesquisadora Friederike Otto, Imperial College London, enfatiza que a transição rápida de fósseis para energia limpa continua essencial, ainda que medidas de adaptação sejam importantes.

Resultados apontam para consequências políticas, com risco de crescimento de movimentos extremistas caso o poder público não antecipe impactos. Analistas destacam a necessidade de ações que protejam as populações mais vulneráveis.

Medidas e políticas públicas

As autoridades são instruídas a priorizar investimentos que reduzam riscos climáticos, especialmente em infraestrutura e em edifícios residenciais. A meta é reduzir danos em comunidades menos favorecidas e melhorar a resiliência do conjunto social frente ao aquecimento.

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