- No Tonle Sap, o maior lago de água doce do Sudeste Asiático, pessoas locais usam tecnologia para proteger a floresta alagada diante de incêndios e desmatamento.
- Alarmes de satélite ajudam 78 bombeiros comunitários a impedir queimadas; nos últimos três anos, foram 50 alertas atendidos, protegendo cerca de 64.000 hectares.
- As áreas reflorestadas incluem quase 270.000 mudas plantadas em viveiros comunitários, com foco em espécies nativas importantes para habitat de animais e polinização.
- O forte avanço de uma planta invasora, Mimosa pigra, dificulta a recuperação natural, enquanto as queimadas causadas por atividades agrícolas e acúmulo de fumaça prejudicam a qualidade da água.
- Em janeiro de 2022, equipes comunitárias passaram a usar OroraTech para detectar riscos de fogo; desde então, a presença de felinos-fixadores de peixe (fishing cat) foi registrada pela primeira vez em 10 anos na área restabelecida.
Tonle Sap, no Camboja, abriga a maior lagoa de água doce do Sudeste Asiático. A floresta alagada ao redor vem diminuindo, afetando a pesca e a economia local, que envolve mais de um milhão de pessoas. Combater as queimadas passou a ser prioridade comunitária.
Seisessenta e oito moradores, incluindo pescadores, passaram por treinamento para atuar como bombeiros comunitários. Eles utilizam alertas de incêndio por satélite para atuar rapidamente e evitar a expansão das chamas na floresta alagada, medida que tem ganhado apoio de organizações nacionais e internacionais.
A estratégia de combate às queimadas
Desde 2022, a rede de bombeiros comunitários usa a tecnologia OroraTech para detectar riscos com antecedência. Coordenados por uma linha interna, os avisos são repassados às equipes via aplicativo de mensagens, permitindo resposta rápida e coordenada.
Conservação Internacional, ONG que recebe os alertas via satélite, registra que as equipes responderam a 50 alertas nos últimos três anos, protegendo cerca de 64 mil hectares de floresta alagada e fertilizando o retorno de áreas degradadas.
Reflorestamento e conservação
O projeto CBFiM atua também na regeneração. Foram criados viveiros comunitários que já plantaram quase 270 mil mudas em galerias florestais ao redor do lago, incluindo espécies ameaçadas como sdey, roteang e ta ou. Essas árvores ajudam a proteger contra ventos, oferecer habitat a animais e apoiar a polinização.
Para ampliar a proteção, moradores instalaram placas de conscientização em árvores listadas pela IUCN, reforçando a importância de conservar a floresta alagada e seus recursos.
Desafios e resultados
Temperaturas do período seco chegam a 36°C, tornando o trabalho exaustivo. Ainda assim, especialistas destacam que ações combinadas de reflorestamento e controle de incêndios mostram resultados parciais, com o retorno de populações de peixes e avanços na preservação de habitat para a fauna local.
A comunidade observa avanços visíveis: a observação de felinos pescadores, como o gato-do-pescoço, em áreas restauradas, indica recuperação do ecossistema. A atuação integrada entre tecnologia e liderança local é destacada como essencial para a proteção do Tonle Sap.
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