- Em Acre, a vacinação contra HPV segue abaixo da média nacional, com 59% das meninas e 50% dos meninos vacinados no ano anterior, menores índices entre as unidades federativas.
- Em 2017, 74 adolescentes acreanos apresentaram sintomas após a vacina; investigação apontou que a vacina não causou os problemas, mas houve forte campanha de desinformação que aumentou temores.
- A equipe de imunizações do estado, liderada pela atual coordenadora Renata Quiles, acompanhou o caso e registrou alta de notificações de efeitos adversos durante o pânico gerado pela mídia.
- Estudos da USP mostraram que os sintomas estavam ligados a fatores de estresse e, em alguns casos, a epilepsia genética; a crise foi definida como crise psicogênica não epilética, não relacionada biologicamente à vacina.
- Mesmo com desinformação, ações locais, como capacitação de profissionais e projetos em escolas, já resultaram em recuperação de coberturas, inclusive em Porto Walter, onde cine-vacina ajudou a aumentar adesões; o HPV é ofertado pelo SUS para jovens de 9 a 14 anos, com resgate vacinal para 15 a 19 anos.
Em 2017, o Acre vivenciou um episódio que marcou a vacinação contra o HPV: 74 adolescentes apresentaram sintomas após tomar a imunização. A avaliação apontou que não houve relação biológica entre a vacina e os eventos, mas o caso gerou forte repercussão e desinformação.
A coordenadora estadual do Programa Nacional de Imunizações, Renata Quiles, acompanhou a gestão à época. Ela relata que o estado teve um aumento expressivo de notificações de possíveis efeitos adversos, passando de 14 para 127 casos em seis meses, influenciado pela mídia e pelo medo da população.
A investigação envolveu verificação de lotes e estudo dos casos, com 12 jovens recebendo encaminhamentos para a Faculdade de Medicina da USP. O acompanhamento utilizado incluiu exames de alta complexidade, como videoencefalograma.
Desinformação e recuperação
A conclusão dos especialistas da USP apontou que dois irmãos tinham epilepsia de origem genética e os demais apresentaram crises psicogênicas não epilépticas, associadas ao estresse do ato de vacinar. Não houve relação entre a vacina e os sintomas, segundo as entidades médicas.
As Sociedades Brasileiras de Pediatria e de Imunizações destacaram ainda a influência das redes sociais na propagação de conteúdos falsos sobre reações psicogênicas. O movimento antivacina foi citado como fator que disseminou o medo em todo o país.
Antes do episódio, a adesão dos jovens à vacina era alta; após o caso, a participação escolar caiu. Entre 2018 e 2019, menos de 10% dos adolescentes do Acre procuraram postos para se vacinar. A coordinadora ressalta que o problema não foi a vacina, e sim a desinformação.
Recuperação e estratégias
Especialistas lembram que eventos adversos são esperados, mas a decisão de manter uma vacinação depende da avaliação de risco versus benefício. A taxa de eventos graves é investigada pelo Ministério da Saúde, com foco em estabelecer causalidade.
No Acre, avanços ocorreram com ações de educação em saúde e capacitação de profissionais. Em Porto Walter, por exemplo, a cobertura de HPV entre meninas chegou a 72% em 2025, com ações em escolas e cinema educativo que promoveram a vacinação na porta de cinemas.
Profissionais de saúde destacam a importância da comunicação eficiente para reduzir a hesitação. Programas de treinamento de equipes de vacinação incluem técnicas de comunicação para lidar com desinformação nas comunidades.
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