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Líderes de aéreas discutem choque de combustível e tarifas na cúpula do Rio

Com entregas atrasadas e custo de combustível em alta, cúpula da Iata no Rio avalia impacto nas tarifas e na demanda durante a recuperação do setor

Avião de passageiros HK Express Airbus A321-200
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  • Líderes de companhias aéreas se reúnem no Rio de Janeiro, de 6 a 8 de junho, para discutir o impacto do choque de combustível e das tarifas na recuperação do setor.
  • Atrasos na entrega de Boeing e Airbus forçam voos com jatos mais antigos, elevando custos de manutenção e consumo de combustível, em meio a petróleo em alta por causa da guerra no Irã.
  • A Iata representa mais de trezentas companhias e cerca de oitenta e cinco por cento do tráfego mundial; a previsão de lucro líquido de sessenta e um bilhões de dólares pode ser revisada para baixo.
  • Tarifas mais altas ajudam a cobrir parte dos custos, mas há risco de redução de demanda, especialmente em mercados com moedas fracas e menor poder de precificação.
  • Casos de companhias: Azul reduzirá voos por preços mais altos; Air New Zealand indica que há limite para repasse de custos via passagens; algumas organizações planejam novos pedidos de aeronaves (inclui Singapore Airlines e Qantas).

Os líderes das aéreas globais abrem hoje a cúpula anual no Rio de Janeiro, de 6 a 8 de junho, para discutir o choque de combustível agravado pela guerra no Irã e como isso afeta tarifas e capacidade. O encontro ocorre em um momento em que o setor tenta manter a recuperação pós-pandemia.

Atrasos na entrega de jatos da Boeing e da Airbus forçam companhias a manterem modelos mais antigos, elevando custos de manutenção e consumo de combustível, justamente quando os preços do petróleo sobem.

A Iata representa mais de 370 empresas, respondendo por cerca de 85% do tráfego aéreo mundial. A entidade havia estimado lucro líquido recorde de US$ 41 bilhões para o setor neste ano, mas a previsão pode ser revisada diante do choque de preços.

Uma pesquisa da Deloitte com 21 CEOs de linhas globais aponta volatilidade de combustível e inflação como principais riscos, levando as operadoras a enfatizar controle de custos e saúde financeira.

A Azul, no Brasil, planeja reduzir voos para ajustar a demanda diante de custos maiores com combustíveis. A Air New Zealand aponta que aumentos de tarifas têm limites para cobrirem despesas, demais ajustes dependem de demanda.

A indústria enfrenta o dilema de repassar custos de combustível sem frear clientes, pois passagens são vendidas com antecedência e rotas longas consomem mais combustível. A decisão afeta margens e rentabilidade.

Nos EUA, dados de tarifas indicam demanda estável e repasse de custos de combustível, com tarifas semanais e de quatro semanas em alta, segundo a agência de análise Raymond James. A força de segmentos premium permanece relevante.

Segundo a Air Canada, o segmento premium tem mostrado disposição de pagar, sustentando parte do repasse de custos. Em regiões com moedas fracas, o repasse pode enfrentar restrições de demanda.

A Embraer relata que algumas companhias adiam decisões sobre opções de compra de aeronaves, refletindo ainda a incerteza de custos e demanda. Empresas do setor permanecem cautelosas.

Ainda há planos de expansão. A Philippine Airlines pode encomendar novos jatos nos próximos dois meses. Singapore Airlines negocia pelo menos 50 widebodies, e a Qantas avalia cerca de 20 aeronaves com Airbus ou Boeing.

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