- O estreito de Ormuz permanece fechado há cerca de três meses, após ações militares lideradas pelos Estados Unidos e Israel, deixando centenas de navios presos no Golfo Pérsico.
- Estimativas apontam que há cerca de meio milhar de embarcações afetadas, entre petroleiros, graneleiros e porta-contêineres, com dados variando entre 345 e 483 barcos segundo diferentes fontes.
- Navios encalhados ganham algas, moluscos e crustáceos nos cascos, o que reduz a velocidade e aumenta o consumo de combustível; a situação leva a planos de limpeza de algumas embarcações.
- Negociações com o Irã e rotas alternativas vêm sendo exploradas; alguns navios já conseguiram atravessar Ormuz mediante acordos ou pagamentos, enquanto tentativas de passagem continuam sob risco.
- Apesar de movimentos esporádicos, o mercado não está normalizado; porém há otimismo moderado sobre a eventual reabertura do estreito, com fretes permanecendo relativamente estáveis e navios aguardando fora do golfo para entrar.
O estreito de Ormuz permanece fechado após a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, três meses após o inicio da operação. O bloqueio afeta o trânsito de hidrocarbonetos e de mercadorias, deixando dezenas de navios presos no Golfo Pérsico e provocando impactos logísticos globais. O caso ganhou relevância adicional com relatos de navios encalhados, cascos cobertos por moluscos e algas e custos operacionais crescentes para as companhias.
A embarcação M Kithira, da Maersk, de 300 metros de comprimento, foi citada como exemplo do impacto da crise. Em janeiro, o navio operava entre a costa leste dos EUA e a Índia, passou pela África e chegou a Salalah, em Omã, antes de seguir para Khalifa, nos Emirados, em 27 de fevereiro, momento imediatamente anterior ao agravamento do conflito. Hoje, esse histórico ilustra a exposição logística gerada pelo bloqueio.
Situação atual no estreito
Dados de monitoramento indicam que, em 28 de maio, entre 345 e 483 navios estavam presos no Golfo. A estimativa da Organização Internacional de Aviões de Navios (AIS) aponta para variações diárias, com muitos embarcações mantendo o rastreamento desativado. O bloqueio reduziu o tráfego pelo estreito a cerca de 6% dos níveis anteriores ao conflito, segundo Windward.
Estima-se que haja cerca de 90 petroleiros de crude e mais de 100 navios com produtos refinados impedidos de seguir viagem. Entre os cargueiros, estão ainda cerca de 30 butaneiros, todos sujeitos a atrasos e custos adicionais. A disparidade de números reflete a dificuldade de rastrear navios que desligam o AIS ou trocam de identificação.
Impactos operacionais e perspectivas
Especialistas apontam que, além da redução de tráfego, há impactos na capacidade de transporte de contêineres. Aproximadamente 50 grandes portacontenedores estão fora de operação, o que reduz significativamente a oferta de TEU disponível para o comércio global. Navios que permaneceram parados registram consumo de combustível elevado e custos portuários.
Navios operados por grandes empresas privadas e estatais buscam saídas por meio de negociações com autoridades iranianas ou por meio de rotas alternativas. Em oportunidades recentes, alguns barcos conseguiram atravessar o estreito em momentos de suposta abertura, mas a atividade foi suspensa após ações da Guarda Revolucionária.
Contexto internacional
Fontes do setor indicam que, para transitar por Ormuz, navios muitas vezes dependem de acordos diretos com as autoridades iranianas ou de pagamentos a uma espécie de peaje controlado pela guarda. Dados de monitoramento mostram que parte da frota que deixou o Golfo pertence a bandeiras iranianas ou a pabellões de conveniência, com um percentual menor sob bandeira indiana.
Mesmo diante de momentos de saída de navios, especialistas enfatizam que tais movimentos não significam normalização do mercado. O mercado internacional aguarda sinais mais claros de reabertura do estreito, enquanto as tarifas de frete se mantêm em níveis relativamente estáveis diante da incerteza.
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