- A segunda greve geral em seis meses em Portugal parou trens, cancelou centenas de voos e fechou escolas, com hospitais adiando cirurgias após a mobilização de sindicatos.
- O governo minoritário deve aprovar um projeto de lei de reforma trabalhista com apoio do Chega, abrangendo mais de cem artigos do Código Trabalhista.
- A ideia é aumentar a produtividade e o crescimento, após as negociações com sindicatos não terem resultado.
- Os impactos incluíram suspensão de trens de longo percurso pela CP, fechamento do metrô de Lisboa, redução de voos da TAP para cerca de 79 de mais de 300 diários e escolas sem aula.
- A ministra do Trabalho, Maria do Rosário Ramalho, afirmou que participação de trabalhadores do setor privado foi marginal e que a reforma mira principalmente esse grupo.
A greve geral provocada pela CGTP paralisou Portugal nesta quarta-feira (3), com impactos em trens, voos, escolas e serviços de saúde. O movimento, que ocorre pela segunda vez em seis meses, questiona o projeto de reforma trabalhista do governo de centro-direita.
O governo, que depende de apoio parlamentar do partido Chega, pretende alterar mais de 100 artigos do Código Trabalhista. O objetivo declarado é aumentar a produtividade e estimular o crescimento, após negociações com os sindicatos não darem resultado.
A CGTP afirma que a reforma consolidaria empregos precários, flexibilizaria a jornada e facilitaria demissões em massa, além de restringir direitos de greve e proteções aos pais. Trabalhadores jovens seriam pressionados a aceitar contratos de longo prazo com carga horária maior.
Rodrigo Azevedo, trabalhador de banco, aponta que a reforma facilita demissões e a substituição por mão de obra terceirizada mais barata, citando impactos diretos no dia a dia. Segundo a central, o pacote trabalhista afeta o futuro e o presente dos trabalhadores.
Impactos da greve
A CP suspendeu trens de longa distância e a maioria dos regionais. O metrô de Lisboa fechou as portas. Escolas de todo o país abriram apenas com funcionamento mínimo ou fecharam, devido à falta de docentes.
Hospitais adiaram a maioria de cirurgias e consultas após greve de enfermeiros. A TAP informou operação reduzida, mantendo cerca de 79 voos diários dos habituais 300. A Iberia também comunicou reduções significativas entre 50% e 75%.
A ministra do Trabalho, Maria do Rosário Ramalho, disse que a participação do setor privado foi marginal, ressaltando que a maioria dos trabalhadores permanece em atividade. O governo afirma manter o foco na vacinação, saúde e serviços essenciais.
A reforma prevê ampliar demissões por justa causa, permitir negar reintegração em demissões ilegais mediante indenização e suspender limites da terceirização. A próxima etapa legislativa ainda não tem data definida, segundo autoridades.
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