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Relator favorece fim da escala 6×1 e jornada de 40 horas

Relator aponta PEC que encerra a escala 6×1, com transição de sessenta dias para 42 horas e, em doze meses, para quarenta, sem redução salarial

Parecer do relator fixa limite de 40 horas semanais, garante dois dias de descanso remunerado e prevê transição de um ano. (Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados)
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  • O relator, deputado Leo Prates, apresentou parecer favorável à PEC 221/2019, que acaba com a escala 6×1 e estabelece quarenta horas semanais máximas com dois dias de repouso remunerado.
  • A transição será escalonada: primeiras mudanças levam a 42 horas semanais em sessenta dias, atingindo quarenta horas após doze meses, sem redução salarial.
  • Os dois dias de folga devem ocorrer em até sessenta dias após a promulgação, sendo um deles preferencialmente aos domingos; folgas podem ser reorganizadas por acordos coletivos, desde que a média seja de dois dias por semana.
  • Trabalhadores chamados “hipersuficientes” — com diploma superior e remuneração igual ou superior a duas vezes e meia o teto do INSS — ficam isentos das regras de duração e controle de jornada.
  • A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) critica a transição de um ano como insuficiente e pediu a rejeição do substitutivo, defendendo mitigação de impactos e maior negociação coletiva.

O relator da Comissão Especial que analisa a redução da jornada de trabalho, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), apresentou parecer favorável à PEC 221/2019. A proposta trata do fim da escala 6×1 e estabelece uma jornada máxima de 40 horas semanais com dois dias de repouso remunerado.

A mudança ocorreria de forma gradual: em 60 dias após a promulgação, a carga cairia de 44 para 42 horas. Teto definitivo de 40 horas seria atingido após 12 meses. O objetivo é manter salários estáveis durante a transição.

O texto garante que a redução não reduz salários nem pisos vigentes. A transição busca equilíbrio entre produtividade e proteção aos trabalhadores, segundo o relator.

Novo regime de folgas

Os trabalhadores passariam a ter direito a dois dias de repouso semanal remunerado em até 60 dias após a Emenda. Um dos dias deve ser preferencialmente aos domingos, sem obrigatoriedade de sequência de folgas.

Condições de folga podem ser ajustadas por acordos coletivos. A média de dois dias de descanso por semana deve ser mantida dentro do mês, com pelo menos uma folga em cada semana.

Hipersuficientes e exceções

O parecer cria critérios para chamados trabalhadores hipersuficientes: profissionais com diploma superior que recebam mais de 2,5 vezes o teto do INSS ficam isentos das regras de jornada. O teto do INSS hoje chega a R$ 8.475,55.

Essa exceção visa modernizar cargos estratégicos e reduzir a pejotização, incentivando contratos pela CLT para esses profissionais.

Apoio a pequenos negócios e contratos públicos

O substitutivo admite lei complementar para mitigação de impactos em micro e pequenas empresas, desde que não haja redução de empregos. Em contratos públicos, há prazo de 12 meses para aditamento de mão de obra terceirizada.

O relator destacou que a proposta resulta de audiências realizadas pelo programa Câmara pelo Brasil, com participação de estados como Paraíba, São Paulo e Amazonas.

Reação do setor produtivo e da indústria

A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) classifica a transição de 12 meses como insuficiente e pediu a rejeição do substitutivo. A entidade cobra estudo de impactos e medidas de compensação para setores mais atingados.

A Fiep argumenta que mudanças devem prever negociação coletiva como ferramenta principal para adaptar regras à realidade de cada setor, sem pressa indevida.

Contexto político e agenda

A proposta envolve negociação entre o presidente Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta, sobre o período de transição e ajustes. O acordo visa conduzir a pauta com maior clareza para o Congresso.

A sessão da comissão segue buscando equilíbrio entre proteção ao trabalhador e viabilidade econômica, com avaliação de impactos setoriais antes de avançar.

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