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Trabalhadores experientes recorrem a IA para se manterem ativos

Mercado de trabalho exige cada vez mais de profissionais acima de cinquenta; muitos recorrem à anotação de dados para treinar IA, com renda instável

Patrick Ciriello. ‘You hear about people who hit rock bottom. Well, I was there.’
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  • Trabalhadores com mais de cinquenta anos enfrentam grande dificuldade de recolocação e recorrem à treinar IA, na prática chamada de anotação de dados, como forma de manter a renda.
  • O objetivo é rotular e avaliar informações para treinar modelos de IA; contratos podem render bem em alguns casos, mas a remuneração é instável e geralmente não há benefícios.
  • Exemplo de Patrick Ciriello, 60 anos: perdeu o emprego, viveu em motéis, hoje trabalha em treinamento de IA ganhando em torno de $20 por hora, com cerca de quarenta horas semanais.
  • Outras histórias destacam casos de profissionais como Rebecca Kimble e Anne: Kimble ganha entre $30 e $140 por hora em gigs, com renda mensal variável; Anne ganha cerca de $26 por hora em IA, trabalhando remoto, sem benefícios.
  • A tendência é enxergar o treino de IA como um “bridge job” — ajuda financeira temporária, mas com insegurança de longo prazo e sem proteção social adequada.

Patrick Ciriello, de 60 anos, perdeu o emprego no início de 2023 e, após meses sem oportunidades, passou a buscar trabalhos em TI, atendimento ao cliente e até em uma lanchonete. A família enfrentou moradias precárias em Vermont até o fim de 2023, quando a ajuda estadual foi encerrada. Em março de 2024, ele recebeu uma oferta de trabalho para treinamento de IA e percebeu, apenas depois, que envolvia rotinas de anotação de dados.

Ciriello está entre cinco profissionais com mais de 50 anos que contaram ao Guardian como passaram a trabalhar com treinamento de IA. A atividade, conhecida como annotation de dados, envolve rotular informações usadas para ensinar modelos de IA, como o ChatGPT e o Gemini. Relatos indicam que a prática pode ajudar a treinar sistemas, mas também pode representar a substituição futura de trabalhadores.

As empresas que contratam para treinamento de IA, como Mercor, GlobalLogic, TEKsystems, micro1 e Alignerr, mantêm redes de contratados para clientes como OpenAI, Google e Meta. Profissionais experientes costumam ver o trabalho como voluntário temporário, com remunerações que variam amplamente, de políticas de até 20 a 40 dólares por hora, com alguns ganhos acima de 100 dólares na prática especializada.

Para Ciriello, a primeira vaga de IA pagava 21 dólares por hora, com 40 horas semanais, avaliando respostas de IA e apontando erros. Em janeiro de 2025, ele participou de uma grande demissão que o levou a buscar outra posição por meio de uma consultoria, hoje avaliando respostas de modelos da Meta desde agosto de 2025, com cerca de 40 horas semanais a 20 dólares por hora. A renda cobre despesas básicas, mas não garante estabilidade.

A situação de Ciriello inspira reflexões sobre o mercado de trabalho na terceira idade. Quase metade dos trabalhadores entre 50 e 54 anos no país são deslocados de empregos de longo prazo antes da aposentadoria, conforme o Urban Institute. A pesquisa também aponta que a pandemia intensificou esses efeitos, elevando a pressão para buscar ocupações menos estáveis.

Mudanças no tema: impactos e perspectivas

Especialistas citados pelo Guardian descrevem o que chamam de “empregos ponte” — funções de menor exigência que ajudam a manter a renda perto da aposentadoria. A IA é apresentada como nova ponte para profissionais qualificados, apesar de ser visto como queda de remuneração e de benefícios em comparação a carreiras anteriores.

Rebecca Kimble, médica de 52 anos, migrou de medicina de emergência para treinamentos de IA após dificuldades para retornar ao trabalho clínico. Ela ganha entre 30 e 140 dólares por hora em trabalhos de IA, com rendimentos mensais entre 500 e 1.0 mil dólares, dependendo da disponibilidade. Mesmo com ganhos, descreve o trabalho como inconstante e não como uma carreira estável.

Anne, com mestrado e doutorado, também migrou para treinamento de IA após longos vínculos acadêmicos. Ela recebia salários de seis dígitos na academia, mas passou a ganhar cerca de 26 dólares por hora treinando modelos de IA. Hoje trabalha para a Meta por meio de contratação, sem benefícios, mantendo pagamentos de habitação, empréstimos estudantis e contas básicas.

Kimble acrescenta que o modelo de IA se apresenta como um gig, com tarefas surgindo conforme plataformas de contratação. Ela relata jornadas irregulares, chegando a acordar de madrugada para garantir trabalhos, com ganhos mensais entre 500 e 1.0 mil dólares, ou mais em semanas com maior demanda. Em complemento, mantém trabalho parcial para cumprir as finanças familiares.

Para os trabalhadores mais velhos, a prática representa uma solução temporária diante da escassez de oportunidades. O grupo relata insegurança quanto à continuidade do trabalho e questiona o impacto da IA na prática clínica e em outras profissões. Alguns defendem maior participação de profissionais na orientação de modelos de IA para resultados mais confiáveis.

Ciriello planeja novos passos, incluindo a criação de uma prática de coaching para neurodivergentes e um curso online sobre busca de emprego. Enquanto isso, ele segue atuando na IA para manter a renda da família, ciente de que o cenário pode mudar rapidamente nos próximos meses.

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