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Produtores de café hondurenhos enfrentam mudanças para cumprir a EUDR

Com a EUDR, cafeicultores hondurenhos adotam gestão digital e consultoria para atender às exigências da UE, enfrentando custos, conectividade e mudanças culturais

CONCEPCIÓN DE SOLUTECA, Honduras — In the 1970s, the Honduran government granted a piece of land in the mountains of Concepción de Soluteca to Roberto González’s parents. They duly grabbed a chainsaw and a machete to clear the forest. On the 12 hectares (30 acres) they received as part of a land reform, they planted corn, beans and bananas, the basic staple foods.
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  • O EUDR,Regulamento da União Europeia, exige rastreabilidade e documentação para evitar ligações com desmatamento, levando produtores de Honduras a modernizar práticas agrícolas para vender ao bloco.
  • A exportadora Becamo compra de quase 10 mil pequenos produtores e afirma que cerca de 69% do café é vendido para a Europa, o que acelerou a adoção de consultoria agrícola e ferramentas de conformidade.
  • Agricultores passaram a receber orientação técnica, verificação de títulos de terra, melhoria de infraestrutura e manejo sustentável do solo, com foco em aumentar a produtividade e reduzir impactos ambientais.
  • O desafio cultural inclui redução do trabalho infantil durante a colheita; foram criadas creches móveis financiadas por grandes varejistas alemães para apoiar famílias.
  • Embora haja custo adicional, muitos produtores passaram a aumentar a participação de café orgânico e digitalizar processos; ainda há incertezas sobre repasse dos custos e sobre quem realmente detém os dados na cadeia.

Conformando uma história de transformação, a reportagem acompanha produtores de café hondurenhos que precisam se adequar às regras da EUDR. O foco é como a exigência europeia de rastreabilidade está mudando práticas antigas, hábitos de trabalho e a gestão de propriedades.

Aos 12 hectares herdados por Roberto González, de Concepción de Soluteca, a lavoura começou com milho, feijão e bananas. O cultivo de café ganhou espaço apenas duas décadas depois, impulsionado por intermediários e linhas de crédito. A partir de então, a família buscou renda, porém sem manejo adequado do solo e da sombra das lavouras.

O contexto atual envolve a União e Cooperativa Agrícola de Fortalecimento e Trabalho, com 19 associados, que vende boa parte da produção à Becamo S.A., uma das maiores exportadoras de Honduras. A Becamo atende quase 10 mil pequenos produtores e exporta aproximadamente 69% de seu café para a Europa.

Desafios da rastreabilidade

Antes da regulamentação da Comissão Europeia anunciada em 2021, a Becamo já atuava com uma solução de rastreabilidade desenvolvida pela Neumann Kaffee Gruppe (NKG), investidora na fiscalização de cadeia de suprimentos. O desafio principal está em aplicar a tecnologia entre pequenos agricultores, muitas vezes em regiões remotas.

A implantação envolve visitas de agrônomos, verificação de títulos de terra, construção de latrinas e abrigos para trabalhadores, além de questionários sobre certificações, fertilizantes e salários. Agricultores relatam que a mudança exige investimento inicial e mudanças de hábitos.

González e vizinhos reconhecem melhorias após o acompanhamento da Becamo, que passou a oferecer consultoria agrícola gratuita antes mesmo da EUDR. O reforço técnico vem acompanhando a expansão de equipes regionais e do quadro de sustentabilidade da empresa.

EUDR, produção sustentável e empregos

Com a carga de exigir padrões mais altos para evitar desmatamento, houve aumento no uso de consultoria tecnicamente especializada e na adoção de práticas de manejo, manejo de solo e água. Em resultados, alguns produtores passaram a adotar plantios de cobertura e poda regular, com impactos positivos na produtividade.

A transição levou à busca por certificações de produção orgânica, abrindo espaço para coffee de maior valor agregado. A Becamo aponta que a participação de café sustentável na exportação cresceu, aproximando-se de 50% das vendas em um período recente.

Custos, dados e inclusão digital

Segundo a Becamo, o custo médio de conformidade é de cerca de 1 dólar por saca de 60 kg. Ainda não está claro como esses custos serão repassados ao longo da cadeia de suprimentos. O foco, porém, está na viabilização de faturamento com o café na UE, via rastreabilidade e certificação.

Especialistas citam que a digitalização pode ampliar a inclusão de pequenos agricultores, mas há riscos como conectividade limitada e educação. Estudos indicam baixa adoção de aplicativos agrícolas entre pequenos produtores, por barreiras técnicas e de custo de acesso.

Perspectivas e infraestrutura

A Agência Alemã para Cooperação e Desenvolvimento (BMZ) financia soluções abertas para rastreabilidade, como o projeto Inatrace, que é gratuito. Ainda assim, relatos sobre falhas técnicas, upload offline e erros de geolocalização aparecem entre usuários. O organismo internacional enfatiza a necessidade de melhoria de infraestrutura rural e de dados.

Instituições regionais destacam que o EUDR pode acelerar a digitalização, desde que haja apoio financeiro e técnico estável. A Organização Interamericana de Cooperación para la Agricultura (IICA) trabalha para manter o equilíbrio entre avanços tecnológicos e inclusão de produtores menores, evitando exclusões.

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