- A Polícia Federal realizou buscas em endereços do senador Jaques Wagner (PT-BA) no âmbito da investigação sobre o Banco Master (Operação Compliance Zero).
- Wagner afirmou que continuará na liderança do governo de Lula até eventual decisão contrária do presidente; Lula ligou para expressar apoio.
- A PF aponta três frentes de suspeita contra Wagner: compra de um apartamento de alto padrão em Salvador, repasses à BN Financeira e atuação no Congresso em temas do Master.
- A investigação envolve ainda mensagens, ligações e encontros entre Wagner, Daniel Vorcaro e Augusto Lima, ex-sócio do Master, que também foi alvo da operação.
- Há relato de negociação envolvendo a venda do Master ao Banco de Brasília (BRB) e interesse de Wagner em um apartamento para a filha, com alegação de possível recompras.
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), afirmou que pretende permanecer à frente da liderança do governo Lula até que o presidente decida de forma contrária. A declaração ocorreu após a Polícia Federal cumprir mandados de busca e apreensão em Salvador e em Brasília, no âmbito da investigação sobre o Banco Master.
A PF investiga possíveis irregularidades ligadas ao grupo Master, incluindo operadores como Daniel Vorcaro e Augusto Lima. Wagner disse não ter relação direta com Vorcaro e afirmou ter se encontrado com Lima apenas em duas ocasiões, ambas intermediadas por Lima, ex-sócio da instituição.
A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, que atua como relator da apuração. A investigação aponta indícios de atuação do senador em temas de interesse do Master e de relações com empresas ligadas ao grupo, além de eventual participação em repasses financeiros.
Segundo a PF, as suspeitas envolvem aquisição de um apartamento em Salvador por meio de estruturas ligadas ao Master, repasses à BN Financeira, e possível atuação no Congresso para favorecer propostas ligadas ao banco, como alterações no crédito consignado, ao Fundo Garantidor de Créditos e a tentativa de venda do Master ao BRB.
Entre os indícios estão mensagens, viagens em aeronaves privadas e encontros entre Wagner e Augusto Lima. A Justiça registrou também uma troca de mensagens de março de 2025 sobre a venda do Master ao BRB, com linguagem que indica proximidade entre as partes.
A PF sustenta que Lima repassou informações sobre um apartamento em Salvador a operadores financeiros do grupo Vorcaro, para viabilizar a compra. O inquérito cita ainda que Lima coordenou pagamentos para a BN Financeira e manteve contato frequente com o senador sobre temas do Master.
Wagner afirmou, em entrevista, que o presidente Lula ligou para expressar solidariedade e confiança. O senador explicou manterá sua atuação na liderança, salvo uma decisão contrária do chefe do Executivo. O político também ressaltou que não houve qualquer confirmação de esquema.
O apartamento citado na apuração, avaliado em 2,4 milhões de reais, teria sido objeto de interesse pessoal do senador para presentear a filha, segundo a PF. Wagner relatou ter avaliado a possibilidade de recomprar o imóvel ou facilitar financiamento familiar.
A investigação envolve ainda discussões sobre a possível venda do Master ao BRB, bem como propostas legislativas de interesse do grupo, incluindo a CPI do Banco Master. As autoridades destacam que as informações coletadas incluem contatos entre Wagner, Lima e demais interlocutores do núcleo investigado.
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