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Entenda a relação de Jaques Wagner com pessoas ligadas ao Master

PF investiga nova etapa da Compliance Zero; Wagner e Augusto Lima são alvos de busca, com ligações ao caso do Banco Master

O senador Jaques Wagner (PT-BA)
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  • Policiais federais cumpriram dezoito mandados de busca e apreensão hoje, na sexta fase da operação Compliance Zero, envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o empresário Augusto Lima.
  • A relação entre Wagner e Lima começou em 2017, quando Wagner era secretário do governo da Bahia e negociou a venda da rede Cesta do Povo com Lima.
  • A Secretaria de Desenvolvimento Econômico, chefiada por Wagner à época, alterou editais e decretos para viabilizar a privatização da Ebal, reduzindo o preço mínimo e ampliando o período de gestão do Credicesta.
  • O Credicesta é o cartão de benefícios para servidores; durante a privatização, o governo autorizou que o cartão pudesse operar com exclusividade de margem, cobrar juros e oferecer serviços adicionais.
  • O Banco Master, ligado a Vorcaro, iniciou atuação no consignado público após 2018, chegando a carteira de 2,5 bilhões de reais em 2023; Lima entrou formalmente na sociedade com Vorcaro em 2019.

O senador Jaques Wagner (PT-BA) e o banqueiro Augusto Lima são alvo de buscas e apreensões na sexta fase da operação Compliance Zero, realizada pela Polícia Federal com apoio do STF. Os agentes cumpriram 18 mandados em estados da Bahia, São Paulo e no Distrito Federal, além de medidas cautelares, como a proibição de contato entre investigados e suspensão de passaportes.

A apuração investiga relações entre Wagner e integrantes ligados ao extinto Banco Master. Segundo apuração, os vínculos remontam a 2017, quando Wagner era secretário do governo da Bahia e negociou a venda da rede estadual de supermercados Cesta do Povo com Lima. Parte do conjunto de operações envolve mudanças no processo de privatização da Ebal e do programa Credicesta.

Histórico do caso aponta que a Ebal, criada em 1979, foi privatizada em 2018 após prejuízos. Entre as alterações promovidas para viabilizar a venda, o governo baiano assumiu passivos da empresa, reduziu o preço mínimo do leilão e ampliou o prazo de gestão do Credicesta. Também houve mudanças no uso e na cobrança do cartão de benefícios para servidores públicos.

No âmbito do Credicesta, o governo baiano definiu ainda regras que ampliaram a atuação do cartão, incluindo a possibilidade de uso em qualquer comércio e exclusividade de margem de consignação. O novo gestor passou a fiscalizar o cartão, com eventual cobrança de juros e venda de seguros.

O leilão da Ebal ocorreu na terceira tentativa, com Ignacio Morales, da NGV Participações, arrematando pelo valor mínimo. Investidores apontam que Morales é tido como laranja em apuração relacionada aos mecanismos de privatização e ao Credicesta. A operação envolve ainda a posterior associação de Vorcaro ao Banco Máxima, que virou Banco Master.

A PF também investiga a ligação de Vorcaro com o Credicesta, que ganhou relevância no consignado público após 2018. Em 2019, Lima ingressou formalmente no Máxima, levando carteira de ativos e acesso a convênios com o setor público. Dois anos depois, o Máxima passou a ser chamado de Banco Master.

Segundo apuração, Lima não figura como sócio da Ebal, da NGV ou da PKL One, gestora posterior do Credicesta. A PKL One tem financiamento de fundo ligado à Reag Investimentos, também envolvida em investigações anteriores de lavagem de dinheiro. O roteiro de relações entre as empresas é tema de cobertura jornalística.

A PF investiga se Wagner atuou para favorecer a chamada Emenda Master no Congresso, além de apurar possível repasse de imóvel de cerca de R$ 2,5 milhões de Augusto Lima a Wagner. As buscas visam esclarecer eventuais vantagens obtidas por meio dessas relações com o grupo ligado ao Master. A defesa de Lima afirma que as diligências são desnecessárias e que ele está à disposição para esclarecer os fatos. Wagner não se pronunciou publicamente até o momento.

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