- Serviços de inteligência franceses identificaram e desfarmaram nove comisarías clandestinas de origem chinesa desde a primavera de 2025, principalmente em Paris, com atuação sobre a diáspora e tentativa de retornar dissidentes ao país.
- Três cidadãos chineses responsáveis por essas estruturas foram expulsos; a Direção Geral de Segurança Interna (DGSI) reconheceu pela primeira vez a existência dessas unidades.
- Safeguard Defenders informou a existência de cerca de cinquenta dessas estações clandestinas no mundo, descrevendo métodos para acosar, intimidar e obrigar retorno de dissidentes à China.
- Em março de 2024, houve tentativa de deportação forçada de Ling Huazhan, dissidente chinês de 26 anos, no aeroporto de Charles de Gaulle; dois funcionários da Embaixada da China teriam participado.
- Ni Chaowen, 57 anos, líder de associação industrial de Fujian, estaria repassando informações ao Ministério de Segurança Pública; a Embaixada da China nega envolver-se nas comisarías.
França desmantela nove comisarías clandestinas vinculadas à espionagem chinesa, identificadas nos últimos meses por serviços de inteligência. As estruturas eram dirigidas por cidadãos asiáticos a serviço de Pequim e tinham como objetivo monitorar, intimidar e, em alguns casos, devolver dissidentes ao país.
Entre as ações, agentes franceses desmantelaram comisarías localizadas principalmente em Paris. Três cidadãos chineses responsáveis pela liderança dessas redes teriam sido expulsos do território francês. As investigações foram iniciadas em 2024, após denúncias da ONG Safeguard Defenders.
As informações indicam que as estruturas operavam disfarçadas de centros culturais ou associações comunitárias. Além de oferecer serviços como a tramitação de passaportes, elas também vigiavam a diáspora e identificavam opositores do regime de Xi Jinping para ações de assédio.
Contexto e alcance
Safeguard Defenders aponta a existência de meio centena de estas “comisarías” clandestinas em cinco continentes. Na Europa, além da França, há registros na Espanha e nos Países Baixos. O relatório descreve métodos de coação para fazer dissidentes retornar ao país.
Casos de deportação e envolvidos
Em março de 2024, autoridades francesas perceberam tentativas de deportação forçada do dissidente Ling Huazhan, de 26 anos, na passagem pelo aeroporto de Charles de Gaulle. O caso levou à expulsão de dois funcionários da Embaixada chinesa.
Também está em pauta a atuação de Ni Chaowen, 57 anos, que chegou a França em 2001 e presidia uma associação de industriais de Fujian. Segundo o Le Monde, ele repassava informações ao Ministério da Segurança Pública da China.
A Embaixada da China, em nota, nega a existência das comisarías clandestinas, chamando-as de “pontos de serviço no exterior” voltados a expatriados e sem ligação com políticas. Autoridades francesas seguem monitorando o tema e aprofundando investigações.
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