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Homicídios ocultos tiram SP do topo dos menos violentos, aponta ranking

Atlas da Violência aponta 7.083 homicídios a mais em 2024, elevando a taxa nacional e trocando a liderança de São Paulo por Santa Catarina entre os estados menos violentos

Infográfico - Mapa mostra taxa de homicídios no Brasil em 2024 por estados. — Foto: Arte/g1
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  • O Atlas da Violência estima 7.083 homicídios ocultos em 2024, elevando o total de homicídios no Brasil de 42.590 para 49.673 e a taxa de 20,1 para 23,4 por 100 mil habitantes.
  • Homicídios ocultos são mortes com causa indeterminada; a estimativa usa modelo de aprendizado de máquina para preencher lacunas nas causas. A quantidade aumentou 88,6% em relação a 2023.
  • Entre os estados, São Paulo deixa de ter a menor taxa e cai para o terceiro lugar; Santa Catarina passa a liderar entre os estados menos violentos, com 8,8 por 100 mil, e o Distrito Federal fica em segundo, com 10,9.
  • Rankings oficiais e estimados: Santa Catarina 8,1 (oficial) versus 8,8 (estimado); Distrito Federal 10,3 (oficial) versus 10,9 (estimado); São Paulo 6,6 (oficial) versus 12,8 (estimado).
  • Em 2024, os estados com maiores altas na taxa estimada foram Minas Gerais (+25%), Ceará (+23,8%) e São Paulo (+10,3%); Amapá manteve a liderança entre as maiores taxas oficiais, mas cai na estimativa.

O Atlas da Violência 2026, produzido pelo Ipea e pelo FBSP, aponta que 7.083 homicídios a mais podem ter ocorrido no Brasil em 2024 do que os registros oficiais mostram. A estimativa eleva o total de mortes violentas no país, de 42.590 para 49.673, e a taxa de 20,1 para 23,4 por 100 mil habitantes. A mudança altera também o ranking de estados menos violentos.

Homicídios ocultos são mortes violentas cuja causa básica não pôde ser identificada pelos órgãos oficiais. Em geral, envolve casos classificados como morte violenta por causa indeterminada. Pesquisadores utilizam modelos probabilísticos para estimar quantas dessas mortes seriam homicídios, somando aos registros oficiais.

Entre os estados, São Paulo permanece com a menor taxa nos dados oficiais, 6,6 por 100 mil, mas cai para a terceira posição quando considerados os homicídios ocultos, com 12,8. Santa Catarina passa a liderar o ranking com 8,8 por 100 mil, seguida pelo Distrito Federal, com 10,9. Minas Gerais e Rio Grande do Sul aparecem depois no ranking ampliado.

Amapá mantém a liderança entre as maiores taxas mesmo com as estimativas, passando de 45,7 para 47,1. O Ceará, que tinha a quinta maior taxa nos registros oficiais, salta para a segunda posição com 43,7 por 100 mil, após incluir homicídios ocultos. Ao todo, 16 estados ficam acima da média nacional de 23,4.

Homicídios ocultos cresceram 88,6% em 2024, chegando a 7.083, frente a 3.755 em 2023. A taxa associada subiu de 1,8 para 3,3 por 100 mil habitantes, elevando a participação dessas mortes para 14,3% dos homicídios estimados do ano. Em 2014-2024, o conjunto anual soma cerca de 55,2 mil óbitos ocultos.

Entre as maiores altas na taxa estimada de 2023 para 2024 estão Minas Gerais (+25%), Ceará (+23,8%) e São Paulo (+10,3%). Por outro lado, as maiores quedas ocorreram no Amapá (-28,3%), Tocantins (-22,3%) e Sergipe (-21,4%). O recorte reforça variações regionais da identificação de causas de morte.

O Atlas detalha como o cálculo funciona: usa dados do SIM, do Ministério da Saúde, para identificar mortes cuja causa não é determinada. Um modelo de aprendizado de máquina analisa padrões de vítimas e circunstâncias para estimar proporções de homicídio entre as causas indeterminadas, revelando lacunas na classificação oficial.

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