- Em 2024, foram registrados 32.820 homicídios de pessoas negras, o que corresponde a 77% das vítimas, com média de 89,9 casos por dia (um a cada 16 minutos).
- O risco de uma pessoa negra ser assassinada é 2,7 vezes maior do que o de pessoas brancas; Alagoas apresenta o maior risco relativo (23,3 vezes maior), seguido de Amapá e Sergipe.
- Regiões Norte e Nordeste concentram as maiores taxas de homicídios entre negros; estados do Sul e Sudeste registram índices menores.
- Entre 2014 e 2024, 435.551 pessoas negras foram assassinadas no Brasil, enquanto o total de mortes entre não negros foi de 132.156; houve queda de 21,7% para negros e 38,9% para não negros.
- O Atlas aponta crescimento das notificações de violência contra a população LGBTI+, com 10.250 registros de homossexuais e bissexuais em 2024 e 5.575 de pessoas trans e travestis, além de aumento de casos em quase todos os grupos.
O Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira, aponta que 32.820 homicídios de pessoas negras foram registrados em 2024, o que corresponde a 77% das vítimas. A média é de 89,9 assassinatos por dia, ou um caso a cada 16 minutos.
O levantamento mostra que o risco de morte por violência é 170,3% maior entre pretos e pardos em relação a pessoas não negras. A disparidade se repete em todas as regiões, com maior concentração no Norte e Nordeste.
Dados por estado e região
Amapá, Alagoas, Pernambuco e Bahia aparecem entre os estados com maiores índices de homicídios de negros. Em contrapartida, Sul e Sudeste registram taxas menores, como SP com 8 mortes por 100 mil negros.
Risco relativo entre negros e brancos
O estudo aponta que negros têm 2,7 vezes mais chances de serem assassinados do que brancos. Roraima é a única exceção, com risco relativo de 0,5.
Desigualdade histórica ao longo da série
Entre 2014 e 2024, 435.551 pessoas negras foram mortas, contra 132.156 não negras. A queda de homicídios foi maior entre não negros (38,9%) do que entre negros (21,7%).
Reação de especialistas
Juliana Brandão, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, afirma que o Brasil ainda apresenta maior risco de homicídio para a população negra.
Violência contra LGBTI+ cresce
O Atlas registra aumento de notificações de violência contra LGBTI+, com 10.250 casos de homossexuais e bissexuais em 2024 (alta de 5,5%). Pessoas trans tiveram 5.575 registros, grupo que registrou alta de 2,5%.
Perfil por faixa etária e raça
Entre travestis, 67% das vítimas são negras. Mulheres trans negras correspondem a 61% dos registros; homens trans, 55% entre negros. Jovens são os mais atingidos em vários grupos.
Idosos e quedas ganham destaque
Em 2024, notificações de violência contra idosos chegaram a 30.097 casos; porém, mortes por queda superam homicídios nessa faixa etária. Especialistas alertam para o envelhecimento da população e a necessidade de políticas intersetoriais.
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