- Dez cubanos saíram em uma lancha de pesca de Cayo Maratón, na Flórida, em 25 de fevereiro, com destino a Villa Clara, Cuba, e foram interceptados pela guarda costeira.
- Houve troca de tiros: quatro membros do grupo morreram, outros ficaram feridos, e o comandante da guarda costeira foi atingido.
- A embarcação continha armas, munições e itens com insígias da Autodefensas del Pueblo (ADP) e do Movimiento 30 de noviembre.
- A ADP, liderada por Michel Naranjo Riverón, a.k.a. Kiki Naranjo, defende que se tratava de uma “missão patriótica” para libertar Cuba; autoridades cubanas classificaram o episódio como infiltração terrorista.
- Analistas dizem que o caso evidencia a existência de grupos de exilados cubanos que defendem a insurgência, uma prática marginal historicamente presente na oposição, mas hoje com pouca visibilidade.
Os 10 cubanos que partiram de uma lancha da Flórida com destino a Cuba foram interceptados pela guarda costeira cubana após uma operação ocorrida no dia 25 de fevereiro. A viagem partiu de Cayo Marathon em direção a Villa Clara, no centro do país. O confronto resultou em mortes e ferimentos entre a tripulação e militares cubanos.
As autoridades cubanas afirmam que houve fogo cruzado e que quatro ocupantes da embarcação morreram, além de outros seis ficarem feridos; entre os feridos está o comandante da guarda costeira. A cubana também declarou apreensão de armamento, munições e itens de apoio à operação. O grupo era ligado à organização Autodefensas del Pueblo.
O governo cubano descreve o incidente como uma infiltração terrorista organizada a partir de Miami, com fins políticos. Por sua vez, os líderes da ADP asseguram que a missão era patriótica e visava a derrubar o regime. Os membros usavam símbolos ligados à organização.
O grupo e seus antecedentes
Michel Naranjo Riverón, conhecido como Kiki Naranjo, de 47 anos, é fundador da ADP e aparece como líder em entrevistas de videoconferência. Segundo ele, a organização busca ações clandestinas para promover a liberdade em Cuba. Naranjo afirma que os integrantes estão dispostos a sacrificar-se.
A ADP foi criada em 2022 por Naranjo e por outro veterano da oposição, identificado como Sánchez González. As redes sociais da associação veiculam grafites, vídeos com voz distorcida e mensagens de apoio a ações clandestinas em Cuba. A organização também tem uma lista de indivíduos e entidades identificadas como ligadas a atos de terrorismo pelo governo cubano.
Repercussões e contexto
Autoridades dos EUA não divulgaram informações sobre investigações atuais ligadas ao caso. Reações em Washington pediram esclarecimentos ao governo cubano e ressaltaram a necessidade de apurar responsabilidades. Estados Unidos destacaram que não devem basear-se apenas na versão de La Habana.
Especialistas em exílio cubano ressaltam que a prática de ações armadas contra Cuba, ainda que marginal, persiste em alguns grupos. Observam que a visão predominante entre exilados mais estabelecidos é de que mudanças devem ocorrer por meio de políticas exteriores, não apenas por ações clandestinas.
Considerações finais
Observa-se que incidentes desse tipo reacendem debates sobre a atuação de grupos exilados e o alcance de campanhas dentro de Cuba. A comunidade internacional busca informações verificáveis e responsáveis por parte das autoridades cubanas e dos organizadores do grupo ADP.
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