- O Mencho, líder do Cartel Jalisco Nueva Generación, foi morto pelo Exército no domingo, encerrando a era de grandes capos no país.
- México passa a enfrentar um cenário com grupos criminalizados sem uma figura central; estima-se que haja mais de oitenta facções ativas, e não apenas alguns cartéis.
- A estratégia de atacar apenas os grandes chefes gerou mais violência dispersa, com novos grupos mais imprevisíveis e atividades como extorsão em alta.
- O CJNG é descrito como uma organização descentralizada, quase como uma franquia, que ampliou seus tentáculos por quase todo o território e respondeu com violência após a morte do líder.
- Além de golpes militares, países vizinhos e fatores internos levaram à transferência de presos de alto e médio perfil para fora do país, buscando evitar alianças internas que mantenham operações criminosas.
México vive um novo cenário de crime organizado após a morte do líder do CJNG, alvo da operação do Exército. A ofensiva, que culminou na queda de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como Mencho, encerra uma era de controle centralizado e coloca em evidência a dispersão de facções.
A estratégia de desmantelar grandes cartéis, adotada por governos mexicanos nas últimas duas décadas, resultou na captura de nomes históricos e na desintegração de estruturas. Com o Mencho morto, não há mais uma figura inequívoca que simbolize o poder da organização, segundo analistas.
Em 2012, a morte de Heriberto Lazcano abriu caminho para ascensão do Mencho, que gradualmente rompeu com velhos rivais e consolidou uma liderança. A queda do Chapo Guzmán também favoreceu sua ascensão, ainda que sob perfil baixo. Hoje, o emaranhado de gangues se apresenta mais pulverizado.
Contexto e mudanças estruturais
A atuação do CJNG, descrita como uma rede descentralizada, permitiu expansão nacional. Em resposta, o grupo passou a enfrentar ataques de autoridades e rivais, gerando um ciclo de violência. O número de grupos criminosos ativos teria passado de oito para mais de oitenta, segundo documentos militares filtrados.
A dispersão dos grandes núcleos tem levado a uma explosão de ocorrências violentas em diversas regiões. Em Puerto Vallarta, registros de ataques e incêndios indicam uma escalada regional. O aumento de confrontos reflete mutações no crimen organizado.
A prisão de líderes de peso no exterior também tem impacto interno. Mais de 100 presos de média e alta periculosidade foram enviados para fora do território mexicano, parte de uma estratégia para evitar alianças e mutações dentro de prisões.
Desdobramentos e leitores de cenário
Entre os detidos figuram exponentes históricos e mandos médios de facções rivais do CJNG. A retirada de figuras com capacidade de lavagem de dinheiro e de influência facilita mudanças no fluxo de recursos, segundo analistas.
Ainda segundo especialistas, a raiz do problema envolve redes de poder político e estruturas de lavagem ligadas a empresas locais. Sem enfrentar esse arcabouço, o ciclo de violência tende a persistir, independentemente de golpes contra figuras centrais.
Impacto operacional e perspectivas
A morte do Mencho evidencia limites da estratégia de concentrar ações apenas nos grandes nomes. O CJNG, descrito como franquia criminal, manteve capacidade de operação após o golpe, embora sob novos formatos. Diverseiro conjunto de ataques e bloqueios já foi identificado em múltiplos estados.
A análise destaca que a resposta de segurança pública hoje exige coordenação entre esferas federal, estadual e local. O papel das Forças Armadas na repressão de grupos descontinuados é questionado por especialistas, que defendem estratégias integradas de combate ao crime organizado.
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