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Pesquisa aponta problemas e prisões indevidas ligadas ao Smart Sampa

Relatório aponta prisões indevidas, falsos positivos e falhas de privacidade no Smart Sampa, sistema de até quarenta mil câmeras na cidade

central de monitoramento do Smart Sampa com câmeras inteligentes em operação 24h. Foto: Divulgação / Prefeitura de São Paulo
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  • Entidades apontam problemas no Smart Sampa, sistema de videomonitoramento da prefeitura de São Paulo com até 40 mil câmeras, incluindo falsos positivos, prisões indevidas e riscos à privacidade.
  • A análise usa dados do Relatório de Transparência de 2025 e da Lei de Acesso à Informação, destacando custos de até 9,8 milhões de reais por mês e pouca transparência na gestão de dados.
  • Entre as prisões registradas desde o início da operação, houve 1.153 ocorrências, com 540 classificadas como “outros” sem detalhamento da motivação; os crimes mais frequentes foram roubo, tráfico de drogas e furto.
  • Mais de noventa por cento do que foi categorizado como “outros” envolvia pensão alimentícia, sugerindo uso indevido do sistema; há concentração de prisões no centro, Brás e Cracolândia, com perfil racial/ territorial desigual.
  • A prefeitura afirma redução de roubos em 2025, sustenta contrato vigente, LGPD e validade de 99,5% dos alertas, e diz que vigilância é validada por agentes humanos; números oficiais incluem 2.709 foragidos, 3.650 prisões em flagrante, 153 desaparecidos e 2.017 ocorrências de veículos.

O Smart Sampa, sistema de videomonitoramento da prefeitura de São Paulo, é alvo de uma avaliação independente que aponta falhas, falsos positivos e prisões indevidas. O estudo foi produzido por LAPIN, Instituto de Referência Negra Peregum e Rede Liberdade com base em dados oficiais de transparência.

A análise utiliza o Relatório de Transparência municipal, divulgado em junho de 2025, e informações recebidas pela LAI para revisar a operação do sistema de reconhecimento facial e vigilância. Os autores questionam a relação entre alto gasto público e resultados em segurança.

Segundo o estudo, o Smart Sampa opera com até 40 mil câmeras desde 2023, com custo mensal de cerca de 9,8 milhões de reais. A avaliação aponta falta de transparência na gestão de dados e inconsistências operacionais.

O texto sustenta que o sistema agrava desigualdades raciais e geográficas, promovendo um modelo de segurança que criminaliza determinados corpos e territórios. Pesquisadores destacam impactos desproporcionais sobre a população negra.

De acordo com os dados, o sistema registrou 1.246 abordagens, resultando em 1.153 prisões, sendo 540 classificadas como outros pela prefeitura sem detalhamento. O material aponta falhas técnicas e altos índices de falsos positivos.

Entre os tipos penais mais frequentes, o relatório cita roubo, tráfico de drogas e furto. Os números teriam ajudado a sustentar políticas criminais associadas à chamada guerra às drogas, segundo as organizações.

Mais de 90% do que foi categorizado como outros seriam prisões por pensão alimentícia, segundo o LAI. Ao identificar esse grupo, observa-se que parte não teria relação com segurança pública.

Dados oficiais também apontam registro de feminicídios e aumento de homicídios na cidade entre 2024 e 2025, o que, segundo o estudo, contrasta com a percepção de eficácia do sistema. Os dados de raça indicam lacunas, com 58,9% dos registros sem raça informada.

Geograficamente, as prisões concentram-se no centro e em áreas periféricas, com destaque para o Brás e operações na Cracolândia, segundo o relatório. Para as entidades, isso sinaliza vigilância seletiva.

O estudo reforça que o Smart Sampa pode consolidar segregação racial e vigilância discriminatória, apoiadas por desigualdades socioeconômicas históricas. Técnicas e resultados, segundo as entidades, não são compatíveis com proteção de dados.

Em resposta

A prefeitura afirma queda de indicadores de criminalidade no ano de 2025 e defende o uso do sistema para segurança pública. A Secretaria Municipal de Segurança Urbana sustenta que o contrato vai de 2023 a 2028, com orçamento mensal de até 10 milhões de reais.

A nota municipal assegura que as câmeras atuam conforme LGPD e que todos os alertas passam por validação humana. Não houve registro de prisões injustas atribuídas ao sistema, segundo o governo.

Entre os números atualizados, a gestão aponta 2.709 prisões de foragidos, 3.650 prisões em flagrante, 153 localizações de pessoas desaparecidas e 2.017 atendimentos envolvendo veículos.

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