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O que há de novo nesta onda de protestos no Irã

Protestos de fim de 2025 passam a exigir mudança de regime, com a crise econômica ampliando a mobilização em várias cidades iranianas

A protester flashes a victory signs as traffic slows during demonstrations in Hamedan, Iran, on Jan. 1.
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  • Nas últimas semanas de dezembro de 2025, Irã voltou a registrar protestos generalizados, iniciados no bazar de Teerã e se espalhando a grandes cidades e universidades, após crises econômicas.
  • O estopim foi a quebra do rial, alta da inflação e aumento do custo de vida, levando comerciantes e estudantes a protestar contra a má gestão econômica e o governo.
  • Em 2022, o movimento nasceu de uma crise social e moral, com o slogan Woman, Life, Freedom; em 2025-26 o centro se desloca para mudança de regime, com foco econômico e político.
  • As semelhanças incluem rápida propagação pelas redes sociais, repressão estatal, prisões e violência; as diferenças incluem alcance geográfico maior e participação de trabalhadores, mulheres, minorias étnicas e estudantes.
  • O regime busca conter a crise com promessas de diálogo, mudanças administrativas pontuais e a bandeira de ameaças externas, enquanto sinais apontam para a persistência de descontentamento econômico e desejo de mudanças profundas.

O que acontece: novos protestos de largo alcance no Irã desde o fim de dezembro de 2025, iniciados no bazar de Teerã e se espalhando para cidades grandes e universidades. O estopim é econômico: desvalorização da moeda, inflação alta e aumento do custo de vida, gerando descontentamento entre comerciantes, estudantes e a classe média urbana.

Quem está envolvido: comerciantes do Grand Bazaar, trabalhadores urbanos, estudantes, mulheres e minorias, somando-se a setores tradicionais de oposição ao regime. O movimento mistura bandeiras de direitos civis com críticas à gestão econômica, ampliando o leque de atores desde 2022.

Quando: eventos recentes ocorreram no período de Dezembro de 2025 até o início de 2026, com desdobramentos contínuos. Ações de rua, greves e mobilizações se estenderam por várias cidades.

Onde: começaram em Teerã, com foco inicial no bazar, e se propagaram para Isfahan, Mashhad, Hamedan e áreas urbanas de menor porte. Pequenas cidades também registraram participação, ampliando o raio de atuação.

Por quê: o eixo do movimento se deslocou de reformismo para desafio ao regime, motivado pela queda da moeda, alta inflação e deterioração do poder de compra. Descontentamento econômico é combinação de insatisfação política de longa data.

Como se compara com 2022: a atual onda é mais ampla geograficamente e envolve mais setores, incluindo trabalhadores, mulheres e minorias. Em 2022, o foco foi moral e de direitos das mulheres; em 2025-26, a pressão econômica emerge como motor central, com referências a mudanças institucionais.

Como se difere: o contexto internacional mudou, com maior pressão de potências externas e maior risco de repressão. O regime responde com força, prisões e, segundo relatos, violações que já afetam centenas de pessoas. Ao mesmo tempo, surgem slogans que sinalizam apoio a alternativas políticas, como maior abertura a mudanças de regime.

Mudanças de discurso: além de “Mulher, Vida, Liberdade”, surgem cânticos que exaltam a monarquia, sugerindo apoio à possível volta de uma dinastia. Tal desvio indica dissoluções de fronteiras entre mobilização econômica e curtos flancos de demanda por ordem diferente.

Razões estratégicas: a repressão, promessas de diálogo e tentativas de contenção econômica aparecem como resposta do governo. As autoridades tentam apresentar propostas, mas a percepção pública é de que mudanças profundas dependem de reformas estruturais e de um equilíbrio entre diferentes poderes dentro do regime.

Impacto e desfecho possível: historicamente, protestos econômicos ganham fôlego quando conectados a mudanças políticas. O governo busca evitar ampliações, enquanto os manifestantes tentam converter a pressão econômica em coalizões políticas mais amplas. O desfecho dependerá da coesão social e da capacidade de os protestos pressionarem reformas reais.

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