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França e Reino Unido firmam acordo de £660 milhões para uso de canhões de água em requerentes de asilo

Polícia francesa autorizada a usar lança-água contra requerentes de asilo, sob acordo de £660 milhões com o Reino Unido, gerando reação de organizações de refugiados

Police use water cannon in Sandyknowes, Belfast last week. Officers in Northern Ireland have access to six of the devices.
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  • Unidades especializadas da polícia francesa, incluindo uma tropa de choque de cinquenta oficiais, foram mobilizadas para evitar travessias de imigrantes no canal, sob o acordo entre França e Reino Unido avaliado em £660 milhões.
  • Os agentes da Compagnies Républicaines de Sécurité (CRS) podem solicitar o uso de lança‑água, gás CS e bastões como parte de seus poderes de ordem pública.
  • O uso de lança‑água é proibido na Grã-Bretanha, mas permitido na Irlanda do Norte; na França, já foi empregado para conter protestos e ações de traficantes.
  • A organização de defesa dos refugiados Care4Calais classificou o potencial uso de lança‑água como “repugnante” e criticou o apoio britânico a táticas violentas contra refugiados.
  • O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro durante a cúpula do G7 em Évian‑les‑Bains, destacando a implantação de uma unidade CRS permanente para manter a ordem pública e interceptar migrantes.

O governo francês autorizou o uso de dispositivos de controle de multidões por parte de unidades de riot police como parte de um acordo com o Reino Unido, avaliado em 660 milhões de libras. Segundo informações, as equipes disponibilizam canhões de água, gás CS e bastões para impedir que migrantes cheguem a barcos no Canal da Mancha. A medida é encarada como parte de uma estratégia para reduzir travessias com cooperação bilateral.

Duas unidades especializadas, incluindo uma brigada de 50 agentes, iniciaram operações no norte da França com o objetivo de impedir saídas em barcos improvisados, em consonância com o acordo entre os dois países, visando o período de verão. Fontes próximas disseram que a CRS, polícia deriot pública, pode solicitar o emprego de canhões de água e outros equipamentos de controle de tumultos.

O uso de canhões de água não é permitido no território britânico por razões ligadas à manutenção de policiamento consentido, mas pode ocorrer na Irlanda do Norte. Em França, a presença recente de canhões de água foi registrada durante distúrbios, inclusive para conter protestos anti-imigração.

Um grupo de refugiados e organizações humanitárias reagiu com cautela. A Care4Calais classificou a medida como uma escalada de violência estatal contra refugiados em Calais, ressaltando que o governo britânico deveria evitar apoiar táticas violentas em outro país.

A confirmação da implementação foi feita pelo primeiro-ministro francês durante a cúpula do G7, em Évian-les-Bains, na quarta-feira. Segundo ele, unidades de elite associadas ao acordo reforçam a cooperação entre os países para manter a ordem pública e impedir chegadas irregulares.

O governo informou que uma unidade permanente especializada da CRS foi enviada para atuar na manutenção da ordem e na resposta a táticas de contrabando. Em nota, o Ministério do Interior destacou que a equipe está preparada para enfrentar multidões hostis e mudanças nas táticas de contrabando.

As autoridades francesas já haviam empregado canhões de água em outras ocasiões, inclusive em distúrbios após a vitória do Paris Saint‑Germain em competições internacionais. Em Calais e Dunquerque, em julho passado, houve registro de uso de gás CS e bastões contra migrantes e membros de gangues.

A CRS enfrenta críticas anteriores por alegações de brutalidade e racismo. Em 2018, nove policiais foram considerados culpados por agredir manifestantes pacíficos durante os protestos dos “gilets jaunes”. Vazamentos de mensagens também questionaram conduta de oficiais da unidade.

No continente britânico, o uso de canhões de água no território foi descartado em 2015 pela então secretária de Interior, Theresa May, por potencial de dano. Em altas de tensões, a polícia da Irlanda do Norte continua a ter acesso a esse recurso.

O governo do Reino Unido afirma que o pagamento para as ações francesas é financiado por recursos do governo francês, dentro do acordo conjunto. Questionada, a assessoria do Home Office não comentou o tema, e a CRS não respondeu a solicitações de posicionamento.

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