- O relatório da investigadora Donna Ockenden sobre o maior escândalo de parto da NHS deve detalhar falhas “horrendas” no cuidado a mulheres em Nottingham, nos hospitais Queen’s Medical Centre e Nottingham City.
- O documento, com mais de 350 páginas, analisa cerca de 2,5 mil casos de bebês que morreram ou foram feridos e de mães com complicações entre 1º de abril de 2012 e 31 de maio de 2025.
- A apuração aponta comportamento alarmante de funcionários ao longo de anos, incluindo racismo contra mães; cerca de 2.505 famílias prestaram depoimentos, com aproximadamente 850 funcionários citados.
- A Polícia de Nottinghamshire avalia a possibilidade de crime corporativo de homicídio, com a operação Perth examinando o atendimento a pelo menos 200 famílias.
- O governo discute abrir uma investigação pública estatutária sobre cuidados de parto na Inglaterra, reforçando a necessidade de implementação prática das recomendações de Ockenden.
A versão final do relatório sobre o maior escândalo de maternidade da história do NHS será publicada nesta semana e descreve falhas “horrendas” no atendimento a mulheres em Nottingham. O material aponta comportamento inadequado de funcionários dos hospitais Queen’s Medical Centre e Nottingham City Hospital ao longo de anos, incluindo racismo contra mães.
O inquérito, liderado pela especialista Donna Ockenden, envolve 2.500 casos de mães e bebês que morreram, ficaram gravemente feridos ou nasceram mortos sob a gestão do Nottingham University Hospitals NHS Trust entre 1º de abril de 2012 e 31 de maio de 2025. O relatório terá mais de 350 páginas.
Estima-se que mais de 2.505 famílias tenham prestado depoimento, além de cerca de 850 funcionários ou ex-funcionários do NHS Trust. O objetivo é entender as causas estruturais das falhas ao longo de vários anos, atendendo aos pedidos das famílias.
Ações e contextos atuais
Nottinghamshire avalia um possível enquadramento penal do Trust por Manslaughter corporativo, com a operação Perth investigando o cuidado de pelo menos 200 famílias. A Polícia continua analisando se houve responsabilidade criminal na gestão da instituição.
O Nursing and Midwifery Council investiga 96 profissionais da saúde vinculados ao Trust, com 15 em investigação completa e 80 em estágio de avaliação. Um caso já envolve ordem provisória contra uma parte, interrompendo sua atuação profissional.
Reações e propostas
James Murray, secretário de Saúde, comprometeu-se a implementar mudanças significativas na assistência à maternidade, buscando transformar recomendações de Ockenden e de uma apuração nacional liderada por Valerie Amos em ações eficazes. Murray ressaltou que as mudanças não devem ficar apenas no papel.
A instituição de um inquérito público estatutário sobre a maternidade na Inglaterra tem ganhado apoio entre grupos de famílias afetadas e representantes do setor. O objetivo é ampliar a capacidade de testemunhar e exigir responsabilidade de autoridades.
Contexto institucional
A confiança hospitalar aponta melhorias segundo o último relatório de março, com base na inspeção de maio de 2025, mas as avaliações da Maternidade em ambos os hospitais permanecem como requerendo melhoria. O cenário sugere mudanças contínuas na gestão, recrutamento e retenção de equipes.
O grupo de famílias de Nottingham, que participa do processo de diálogo, defende a implementação total das recomendações de Ockenden. Acredita que apenas ações concretas podem evitar a recorrência de mortes maternas, natimidades e lesões cerebrais.
Desdobramentos locais
A imprensa nacional acompanha a divulgação do relatório previsto para esta semana, com atenção especial às consequências políticas e administrativas em Nottingham e no NHS em geral. Famílias afetadas continuam a buscar respostas e melhorias duradouras no atendimento.
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