- Cinco senadores democratas solicitaram audiências formais, em 23 de junho, para investigar o investimento de 500 milhões de dólares dos Emirados Árabes Unidos na World Liberty Financial, ligado à família Trump, e exigem depoimento de autoridades da Casa Branca.
- O acordo ocorreu quatro dias antes da posse de Donald Trump, com a aquisição de 49% da World Liberty Financial por representantes do chefe de segurança dos Emirados, Tahnoon bin Zayed Al Nahyan, e com participação de executivos da G42 na diretoria.
- O texto da carta destaca três decisões de política pública que favoreceram os Emirados: venda de armas de 1,4 bilhão de dólares em maio de 2025, criação de um programa para acelerar aprovações de investimento via CFIUS e a revogação de restrições a exportações de chips, permitindo a compra de 35 mil chips Nvidia.
- A presença de tecnologia dos Emirados que poderia ampliar capacidades de mísseis chineses tornou o tema do chip e da política de exportação o ponto mais sensível politicamente.
- Os democratas tentam avançar nomes de supervisão e normas para cripto, mas dependem de apoio de sete senadores democratas para superar o obstáculo de 60 votos; o foco é evitar conflitos de interesse enquanto ações regulatórias sobre stablecoins e estrutura de mercado estão em discussão.
O grupo de cinco senadores democratas enviou uma carta exigindo audiências sobre o investimento de 500 milhões de dólares feito por investidores dos Emirados Árabes em uma empresa de cripto vinculada a Donald Trump. A medida visa apurar o que sabiam autoridades da Casa Branca e quando souberam. O pedido foi feito no dia 23 de junho.
O acordo envolveu World Liberty Financial, com participação de 49% vendida a investidores próximos ao governo dos Emirados. O negócio contou com pagamentos adiantados de 218 milhões de dólares a entidades ligadas à família Trump e a Steve Witkoff, aliado do ex-diplomata. Além disso, dois executivos da firma de IA G42 passaram a integrar o conselho.
O que mudou com a carta
Os senadores apontam três decisões políticas futuras que favoreceram os Emirados: venda de armas de 1,4 bilhão de dólares em maio de 2025, apesar de objeções no Congresso; criação de um programa piloto de investidores conhecidos para acelerar aprovações no CFIUS; e a revogação de restrições de exportação de chips, liberando 35 mil chips Nvidia para a G42.
Fontes de inteligência já haviam sinalizado que a G42 fornecia tecnologia que poderia ampliar capacidades de mísseis na China, o que torna a autorização de chips a decisão mais sensível politicamente. A carta de fevereiro já havia pedido a avaliação formal do CFIUS, sem resposta até então.
A defesa de WLF, de que Trump e Witkoff não participaram da transação e não mantém ligação com a empresa desde que assumiram cargos, não resolveu, aos olhos dos democratas, o conflito de interesses, especialmente porque a empresa ligada a Trump mantém direito a cerca de 75% das receitas de token.
Implicações para a legislação de cripto
O peso político recai sobre a aprovação de leis de regulação de cripto. Os republicanos dependem de votos democratas para superar o obstáculo de 60 senadores em projetos sobre estrutura de mercado (CLARITY Act) e sobre stablecoins. A janela antes do recesso de agosto aperta.
A questão ética ganha relevância para a stablecoin USD1, que é divulgada pela World Liberty Financial como lastreada por Treasuries. Enquanto o tema é negociado, as consequências regulatórias ainda dependem de votações que podem ser condicionadas à adoção de salvaguardas contra influências externas.
Senadores Warren e Waters já encaminharam outra carta ao regulador de mercados de capitais para exigir preservação de registros ligados à WLF e à família Trump, destacando o possível conflito de interesses ligado à estrutura de receitas.
O debate na Câmara envolve também o senador Chris Murphy, que posicionou a ideia de que o investimento estrangeiro pode ter influenciado decisões de política pública sobre tecnologia. O gerenciamento da agenda legislativa, no entanto, permanece sob controle republicano em comissões específicas.
O que aconteceu de fato, até aqui, é uma escalada de solicitações formais e públicas para obter testemunhos, sem a abertura de revisões formais, como uma CFIUS, ou ordens de comparecimento. A formalidade do processo continua como ferramenta de parlamentarismo de poder.
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