- Delegadas e delegados de países da África e da Ásia foram barrados de participar da conferência da Confederação Internacional de Parturientes (ICM) em Lisboa, prejudicando discussões sobre mortalidade materna e infantil.
- Vistorias recusadas colocaram em risco avanços na saúde de mães e bebês, com apelos urgentes para representantes de nações como Nigéria, Gana, Ruanda, Burundi, Uganda, Tunísia, Etiópia, Serra Leoa, Bangladesh, Índia e Indonésia.
- Organizações destacaram que mulheres maoe morrem a cada dois minutos durante gravidez ou parto, e que remover pesquisadores e docentes-chave agrava o problema.
- Casos específicos incluem Harriet Akello, de Uganda, que lidera uma iniciativa de cuidado obstétrico baseada em equipes pequenas de parteiras, e líderes sindicais de Bangladeshe, ambos impedidos de viajar.
- A Organização Mundial da Saúde e a ICM alertam para a carência global de parteiras e defendem modelos de cuidado baseados em parturientes, enquanto números indicam centenas de milhares de mortes maternas e de recém-nascidos anualmente.
O Congresso da Confederação Internacional de Obstetrizes (ICM) em Lisboa, Portugal, ficou marcado por denúncias de veto de vistos a especialistas de África e Ásia, onde a mortalidade materna é mais alta. Delegadas-chave ficaram de fora das discussões sobre prevenção de óbitos de mães e bebês.
Airon de críticas aponta que várias líderes de midwifaria de países vulneráveis não puderam participar de debates importantes. Entre as nações citadas estão Nigéria, Gana, Ruanda, Burundi, Uganda, Tanzânia, Etiópia, Serra Leoa, Bangladesh, Índia e Indonésia.
Kite Stringer, assessora da ICM, afirmou que as profissionais são referências em regiões com maior carga de mortes. Segundo ela, uma mãe morre a cada dois minutos no mundo, o que exige intervenção direta dos especialistas presentes no evento.
Em Uganda, a obstetriz Harriet Akello coordena uma iniciativa que atraiu atenção da OMS. Ela deveria falar sobre como transformar sistemas de parto de alto risco para um modelo de cuidado centrado na equipe de midwives, especialmente em áreas remotas.
Akello descreveu obstáculos para viajar, mesmo após visitas anteriores a países Schengen. Ela reforçou que a falta de acesso limita a discussão global sobre modelos de cuidado que podem reduzir mortes maternas.
Dois representantes sindicais de Bangladesh também foram negados vistos, enquanto um funcionário do governo de Bangladesh foi a Lisboa para anunciar meta de 25 mil recém-chegados midwives. A situação gerou críticas de desigualdade de gênero, segundo a ICM.
Dr. Arthur Munkana, da República Democrática do Congo, comentou que quatro de suas colegas permaneceram no país; ele foi o único com visto, destacando a gravidade da demanda por profissionais qualificados.
A pesquisadora Alison Perry, da Imperial College London, afirmou que uma enfermeira de Uganda com quem trabalha ficou fora do evento, descrevendo o caso como discriminação clara na participação internacional.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal informou que as avaliações de visto respeitaram as regras Schengen, de forma rigorosa e objetiva, sem favorecer ou prejudicar nacionalidades específicas.
Segundo dados da OMS, cerca de 260 mil mulheres morrem anualmente em parto, 1,9 milhão de recém-nascidos são abortados e 2,3 milhões morrem na primeira semana de vida. Desafios aparecem com maior incidência na África Subsaariana e na Ásia.
A OMS tem reiterado a necessidade de políticas que integrem modelos de midwifery como serviço central, citando déficit de profissionais, estimado hoje em torno de um milhão a menos do que o ideal, segundo a ICM.
Em paralelo ao debate sobre visão, o ICM também abordou hemorragia pós-parto, responsável por cerca de 43 mil mortes anuais entre 27 milhões de mulheres afetadas. Estudos recentes apontam fatores-chave para sobrevivência, como diagnóstico rápido e acesso a transfusões.
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