- O Brasil deve ter cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, segundo o INCA, com o sistema nervoso central respondendo por 1,54% desses casos.
- A Anvisa aprovou o Voranigo (vorasidenibe), um inibidor de IDH1, para glioma difuso de baixo grau em adultos e adolescentes a partir de 12 anos após cirurgia.
- A Aptah Biosciences (Vesper Ventures) desenvolve a RNA WicoTM para reduzir a evolução de células cancerígenas, com foco inicial em glioblastoma; a empresa está na fase pré-clínica, com expectativa de início de estudos clínicos em 2028 e licenciamento até 2030.
- A empresa já levantou US$ 9,5 milhões e busca mais US$ 20 milhões para avançar a fase inicial, visando retardar a adaptação de tumores no cérebro.
- A Vyro Biotechnologies trabalha com vírus oncolíticos modificados para destruir células de tumores cerebrais, incluindo glioblastoma e meduloblastoma, com estudos em animais mostrando redução de massas; a empresa permanece sob supervisão da Anvisa, CTNBio e CQB, visando avançar a pré‑clínica em 2026.
O câncer no Sistema Nervoso Central (SNC) avança no Brasil, com previsão de 781 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028, segundo o INCA. A doença ainda figura entre as principais causas de morte, atrás apenas de doenças cardiovasculares. Dados apontam que 1,54% dos novos casos envolvem o SNC, com 6.500 homens e 5.560 mulheres por ano. As razões são multifatoriais, envolvendo predisposição genética, radiação ionizante e imunidade.
Aceleração de pesquisas ocorre em instituições e empresas, como o Hospital Sírio-Libanês, que investe em diagnósticos e tratamentos do cérebro e da medula. Abordam-se terapias-alvo, imunoterapias e estratégias para atravessar a barreira hematoencefálica, com foco em resultados mais eficazes.
Terapias com RNA
A Aptah Biosciences, parte da Vesper Ventures, busca controlar a evolução dos tumores por meio de RNA, não apenas eliminá-los. A empresa patenteou a plataforma RNA WicoTM (RNA Widespread Correction) para reduzir erros de processamento de RNA, com foco inicial no glioblastoma. O objetivo é tornar as células cancerígenas menos adaptáveis e mais vulneráveis a tratamentos.
A Pátina do glioblastoma envolve necrose no centro do tumor e invasão de células restantes pelo tecido cerebral. O complexo de U1 é apontado como responsável pela variabilidade de transcrição; alterações nesse mecanismo podem, segundo a empresa, dificultar a progressão tumoral. A solução visa retardar a capacidade de adaptação celular e tornar as células tumorais mais suscetíveis ao sistema imune e a terapias convencionais.
A Aptah indica que a droga atua apenas em células cancerígenas quando administrada na dosagem adequada, mantendo células saudáveis intactas. Em testes pré-clínicos, a molécula busca restabelecer a qualidade da transcrição e reduzir a adaptabilidade tumoral. Além do SNC, a empresa estende estudos para outros tipos de câncer, com planos de iniciar fases clínicas em 2028 e licenciamento até 2030. O financiamento já somou US$ 9,5 milhões, com captação adicional prevista.
Terapias com vírus modificados
Outra linha em desenvolvimento envolve vírus oncolíticos, com a Vyro Biotechnologies na dianteira. O trabalho envolve vírus geneticamente modificados para atacar células cancerígenas, atravessando a barreira hematoencefálica. Pesquisas associaram padrões genéticos de microcefalia observados durante a epidemia de Zika a estudos de vulnerabilidade de tumores pediátricos e adultos.
Pesquisas indicam que o Zika vírus pode infectar células tumorais de glioblastoma e meduloblastoma, reduzindo massas em modelos animais. A Vyro desenvolve uma plataforma de vírus oncolíticos sintéticos que mantém segurança em células normais e destrói células tumorais, com potencial de ser utilizado em tumores raros e até em cães. A proposta envolve doses menores e rápida eliminação do vírus de fluidos corporais para reduzir efeitos colaterais.
A Vyro atua sob supervisão regulatória da Anvisa em tempo real, buscando autorizações para etapas pré-clínicas e biossegurança NB2. A meta é concluir as fases pré-clínicas ainda em 2026, avançando para produção de novas cepas sob condições adequadas de biossegurança, com apoio de órgãos regulatórios como CTNBio e CQB.
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