- Vários VIPs noruegueses mantiveram contato com Jeffrey Epstein, prejudicando a imagem internacional da Noruega.
- A princesa Mette-Marit trocou mensagens com Epstein entre 2011 e 2012, em tom considerado inadequado, inclusive durante encontros ao redor do mundo.
- O ex-ministro das Relações Exteriores, Borge Brende, jantou com Epstein em 2018 e 2019, quando já era presidente do Fórum Econômico Mundial; Terje Rod-Larsen também teve vínculos com Epstein.
- A embaixadora Mona Juul foi colocada em licença e posteriormente renunciou; Rod-Larsen e Jagland estão sob investigação do Okokrim por ligações com Epstein.
- A reputação da Noruega como mediadora internacional e o esclarecimento sobre o Prêmio Nobel da Paz sofrem abalos, com consequências para a percepção global do país.
Noruega viveu nos últimos anos um abalos reputacionais ligados ao empresário Jeffrey Epstein, com ligações entre o financista e figuras de alto escalão do país. As informações revelam mensagens entre a princesa Mette-Marit e Epstein, além de encontros com diplomatas, ex-ministros e lideranças empresariais. A divulgação dos relatos expõe possíveis falhas éticas em atividades oficiais e privadas, gerando repercussão internacional.
Entre 2011 e 2012, a então princesa chefiada pela coroa manteve comunicação com Epstein após a condenação do empresário, com mensagens que variam entre afeição e comentários sobre encontros. Registros mostram ainda encontros em locais ao redor do mundo, incluindo a residência de Epstein em Palm Beach, nos Estados Unidos. As mensagens também contaram com observações desairosas sobre eventos oficiais.
O caso envolve outros nomes de peso na política e nos foros globais. Borge Brende, ex-ministro das Relações Exteriores, participou de jantares com Epstein em 2018 e 2019, já na função de presidente do World Economic Forum. Terje Rod-Larsen, ex-chefe de diplomacia, manteve contatos e viagens associadas ao economista, chegando a facilitar processos de visto e de atuação profissional de outras pessoas ligadas a Epstein. A relação incluiu empréstimos expressivos e atividades que, segundo veículos de imprensa, foram acompanhadas de pagamentos e pressões para negócios específicos.
Ambulante de diplomacia e investigação
Thorbjorn Jagland, ex-primeiro-ministro e ex-ministro das Relações Exteriores, também teve encontros com Epstein e recebeu benefícios como viagens custeadas, além de manter correspondência com outras figuras de peso global. O caso levou a investigações formais pela polícia econômica norueguesa, Okokrim, sobre possível corrupção e irregularidades. Juul, embaixadora envolvida na superfície das relações, foi afastada de funções e posteriormente afastada da carreira diplomática.
Apesar de a maioria dos líderes noruegueses não figurar nos chamados arquivos de Epstein, o conjunto de vínculos com o empresário já provocou críticas à integridade de diplomatas, mediadores e instituições do país. A repercussão afeta a percepção internacional sobre a neutralidade e a capacidade de mediação da Noruega, especialmente em negociações de paz e acordos internacionais. O episódio ocorre num momento em que o país — reconhecido pela gestão responsável de recursos e pela posição de fundo soberano — busca manter a confiança global em suas instituições.
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