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Ciência mostra que odiar as mesmas coisas fortalece amizades

O ódio compartilhado aproxima pessoas e molda vínculos, inclusive na política, conforme pesquisas de psicologia social

Duas bocas estilizadas, uma rosa e outra laranja, se comunicam com triângulos texturizados e raios amarelos em um fundo vermelho escuro, simbolizando diálogo e troca de ideias
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  • Estudo de 2006, com 120 pessoas entre 16 e 25 anos, mostrou que descobrir que alguém compartilha a aversão por algo aproxima mais do que ter afeição pela coisa.
  • Compartilhar atitudes negativas ajuda a delimitar grupos, aumenta autoestima e fornece informações sobre quem as possui.
  • O fenômeno ficou conhecido como “bonding through shared dislike” e há uma tese de 2009 sugerindo que o ódio mútuo faz a gente conhecer a outra pessoa mais rápido e aumenta o pertencimento temporariamente.
  • Em 2026, estudo da Universidade de Wenzhou, na China, aponta que relações negativas compartilhadas podem mapear redes sociais e gerar alianças baseadas em antagonismos.
  • Na política, estudo de 2018 indica que eleitores são movidos pelo medo e antipatia ao adversário, tornando o voto contra tão relevante quanto o voto a favor e fortalecendo identidades políticas.

Pouco a pouco, a ciência confirma que antipatia compartilhada pode aproximar pessoas. Pesquisadores mostram que, ao descobrirem que alguém compartilha do mesmo desgosto, indivíduos se sentem mais próximos, mesmo sem se conhecerem. O fenômeno é observado entre jovens de 16 a 25 anos.

A pesquisa inicial, publicada em 2006, envolveu 120 participantes nos EUA e apontou que o antagonismo comum facilita a conexão entre estranhos. O estudo destacou que compartilhar atitudes negativas pode reforçar a identidade de grupo e o senso de pertencimento.

Avanços subsequentes, em 2009, sugeriram dois mecanismos: o ódio mútuo acelera a percepção de conhecimento sobre o outro e eleva temporariamente a autoestima do grupo. Em 2026, estudo chinês expandiu a ideia, mostrando que relações negativas compartilhadas ajudam a mapear redes sociais e identificar alianças.

Origens do fenômeno

A linha de pesquisa ficou conhecida como bonding through shared dislike e influenciou a psicologia social ao longo das últimas décadas. Pesquisadores observaram que o reconhecimento de aversões comuns pode reduzir a distância entre pessoas com perfis distintos.

Além das amizades, o tema também ajuda a entender comportamentos políticos. Em 2018, estudo sobre eleições nos EUA mostrou que eleitores passaram a agir menos por apoio a um candidato e mais por rejeição ao adversário. A antipatia entre grupos passou a moldar identidades sociais.

Implicações no cenário político

Segundo os pesquisadores, o ódio compartilhado pode unir pessoas em torno de uma pauta comum, mesmo com visões distintas. Ao criticar um candidato ou partido, indivíduos podem perceber afinidade com outros que pensam parecido, fortalecendo coesões ideológicas.

Especialistas destacam que o fenômeno não é negativo por si só, mas pode influenciar a forma como o público lê informações e se envolve politicamente. A compreensão do mecanismo ajuda a explicar mobilizações e alianças que vão além de motivos estritamente racionais.

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