- Estudo divulgado no início de julho na Ecology and Evolution reuniu dados de mais de cem espécies, confirmando a masturbação em 120 espécies de aves.
- A prática foi verificada em machos e fêmeas, com maior frequência em aves da ordem Psittaciformes, como papagaios, araras, calopsitas e periquitos.
- Observada tanto em aves selvagens quanto no cativeiro, ocorrendo em adultos e em filhotes, com 55% dos registros em machos.
- Pesquisadores afirmam que o comportamento é natural e saudável, e não deve ser punido, ao contrário do que ocorria no passado.
- A hipótese evolutiva sugere relação com competição pela fertilização, ajudando a limpar sêmen antigo ou aumentar o desejo sexual, conforme o sexo.
A masturbação entre aves não é apenas comum, mas também natural, segundo estudo recente que analisou 120 espécies. A pesquisa, publicada no periódico Ecology and Evolution, reúne dados de mais de 200 registros e aponta que o comportamento ocorre com frequência entre aves selvagens e menos no cativeiro.
O estudo, realizado por pesquisadores do Reino Unido, é considerado a primeira grande investigação sobre o tema. Ele envolve aves de diversas ordens, incluindo gansos, sabiás, codornas e psitacídeos como papagaios, araras, calopsitas e periquitos.
O resultado mostra que a prática aparece tanto em machos quanto em fêmeas, com maior incidência entre espécies com múltiplos parceiros sexuais. Machos representam aproximadamente 55% dos relatos; a idade não é fator determinante, já que adultos e filhotes aparecem quase igualmente envolvidos.
Os autores destacam que a masturbação não decorre de sofrimento ou de ambientes estressantes no cativeiro. O comportamento é descrito como parte do repertório natural de cada espécie, presente mais em aves selvagens do que em cativeiro, conforme análise de casos documentados na literatura e na internet.
A Morôdica evolutiva do comportamento é discutida no estudo, que aponta razões como competição pela fertilização. Em machos, a prática pode ajudar a eliminar sêmen antigo, enquanto em fêmeas pode estimular o desejo sexual antes da cópula. A compreensão sobre prazer em aves, porém, é consistente com a observação de satisfação durante o ato.
Para a comunidade veterinária e para cuidadores, a recomendação principal é não punir a prática. Em relatos históricos, houve tentativas de limitar ou suprimir o comportamento por meio de hormônios, terapias e até intervenções cirúrgicas, ações consideradas inadequadas pela equipe de pesquisa.
A orientação atual enfatiza que a masturbação só deveria ser controlada se houver consequências graves, como prolapso, o que ocorre em casos extremamente raros. Especialistas ressaltam que evitar punições ajuda a reduzir sofrimento e estresse desnecessários para as aves.
Fontes: estudo publicado em Ecology and Evolution, com base em mais de 200 registros, e relatos de campo compilados pela equipe britânica. Créditos aos pesquisadores da Universidade de Lancashire e colaboradores.
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