- MPs de vários partidos pressionam o governo a tornar público o impacto do acordo com os EUA sobre medicamentos, alegando sigilo e custos crescentes para o NHS.
- O acordo prevê aumento do gasto britânico em novos fármacos e maior investimento em medicamentos de vida prolongada em troca de isenções de tarifas para exportações britânicas de medicamentos aos EUA.
- O Departamento de Saúde afirma que o custo adicional será de apenas 1 bilhão de libras entre 2025/26 e 2028/29, mas não estimou gastos após 2028/29.
- Um grupo parlamentar cross-party planeja debater o acordo na Câmara, discutir comissões de saúde, ciência e negócios e buscar uma auditoria independente para avaliar impactos.
- Críticos apontam que o custo total pode subir ano a ano, com pedidos de maior transparência; o governo tem resistência em divulgar informações de longo prazo, citando FOI.
O governo do Reino Unido enfrenta nova pressão para tornar públicos os detalhes do acordo com os Estados Unidos sobre medicamentos. Críticos alegam que a transparência é necessária para entender o custo real do pacto, firmado na semana passada. A oposição e um grupo de deputados buscam publicar a avaliação de impacto do acordo.
Segundo defensores da divulgação, o acordo poderá elevar o orçamento do NHS com novas drogas, além de exigir maior gasto britânico em fármacos para manter as exportações livres de tarifas. O tema já gerou debate entre diferentes legendas no Parlamento.
O acordo, ainda sem cifras completas para o longo prazo, prevê que o Reino Unido aumente investimentos em medicamentos inovadores, em troca da manutenção de exportações britânicas sem tarifas para o mercado americano. Analistas alertam que os custos podem crescer até 2035, data de término do pacto.
Para pressionar pela publicação, um grupo interpartidário de MPs – do Labour, Liberal Democrats, Green e SNP – se reuniu para discutir a obrigatoriedade de tornar pública a avaliação de impacto. A reunião foi organizada pelo ex-líder trabalhista John McDonnell.
McDonnell afirmou que há preocupações reais com o impacto financeiro do acordo sobre o orçamento do NHS e sobre serviços prestados, e pediu também uma avaliação independente, aberta e detalhada. A meta é que o conteúdo do acordo fique disponível ao público.
Paralelamente, o Departamento de Saúde e Assistência Social (DHSC) mantém que o custo adicional previsto é de até 1 bilhão de libras entre 2025/26 e 2028/29, com crescimento estimado após esse período. Executivos disseram não ter estimativas oficiais para anos posteriores.
Nesta semana, o DHSC recusou informar custos de longo prazo ou cópias de correspondências com os titulares de ciência, inovação e tecnologia, citando leis de FOI. A recusa foi alvo de críticas de organizações civis que atuam em defesa de transparência.
A ONG Global Justice Now requisitou informações sobre custos de longo prazo, alegando que a confidencialidade impede compreender plenamente as consequências do acordo para o NHS, as finanças públicas e a indústria farmacêutica britânica. A entidade questiona a real extensão da despesa prevista.
Enquanto o debate segue, o governo ressalta que o acordo visa manter o acesso de pacientes britânicos a medicamentos, atrair investimentos farmacêuticos e evitar tarifas para as exportações britânicas. Críticos pedem clareza sobre impactos na saúde pública e na economia.
Impacto e debate público
A discussão envolve também o papel de órgãos do Parlamento, como comissões de saúde, ciência e negócios, que podem solicitar inquéritos sobre a tramitação do acordo e seus efeitos a médio e longo prazos. A DHSC foi contatada para comentar o caso.
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