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Jônadan Ma explica por que produtor de leite não aceita tirar leite

Ma pressiona a previsibilidade de preços com contrato futuro de leite, buscando reduzir a dependência das indústrias e enfrentar o dumping de importações

Jônadan Ma, presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA
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  • Jônadan Ma afirma que produz e vende leite, não “tira leite” nem entrega; lidera a Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA e gere o Grupo Araunah.
  • Em Brasília, Ma participou do lançamento de um contrato futuro de leite desenvolvido pela StoneX Leite Brasil, com apoio da CNA e parceria do Cepea/Esalq/USP, visando trazer previsibilidade de preços.
  • O Brasil produz cerca de 36 bilhões de litros por ano, com 1,2 milhão de estabelecimentos produtores e VBP de R$ 87,5 bilhões; importa leite em pó principalmente da Argentina e do Uruguai.
  • Desafios do setor incluem imprevisibilidade de preços, sucessão empresarial e mão de obra; há cobrança por medidas antidumping para competir de forma mais equilibrada com vizinhos.
  • O consumo tem migrado para produtos premium e funcionais; o setor ainda remunera por volume, não por sólidos, e há necessidade de aumento de escala, tecnologia e formação para impedir queda de produção.

A busca por previsibilidade no preço do leite ganhou destaque com a atuação de Jônadan Ma, produtor da Fazenda Boa Fé, em Conquista, no Triangulo Mineiro. Ele defende que produtores devem produzir e vender, não apenas “tirar leite” ou entregar, buscando negociar no mercado.

Ma atua há décadas no setor e é formado pela Esalq/USP (1981) com MBA pela FGV. Ele já ocupa cadeira na Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA e aponta três pilares para a sobrevivência da cadeia: previsibilidade de preços, antidumping e mudança de mentalidade do produtor.

Nesta quarta-feira, 13, Ma participou do lançamento de um contrato futuro de leite, desenvolvido pela StoneX Leite Brasil com apoio da CNA e parceria do Cepea/Esalq/USP, na sede da confederação em Brasília. O instrumento é visto como primeira etapa para alterar a prática de fixação de preços apenas ao fim do mês anterior.

O que está em jogo

O setor brasileiro de leite produz cerca de 36 bilhões de litros por ano, posição regional de relevância segundo o USDA, com 1,2 milhão de estabelecimentos produtores, quase 1 milhão de propriedades agrofamiliares. O VBP de leite alcança aproximadamente R$ 87,5 bilhões, segundo o IBGE. O país ainda importa leite em pó de Argentina e Uruguai para suprir entressafras, com volumes de 225 mil toneladas em 2025, por US$ 884 milhões.

Desafios que afetam a cadeia

Ma aponta que o momento atual do setor é de recuperação, após dificuldades do ano anterior. Entre as dificuldades, destacam-se: imprevisibilidade de preços, problemas de sucessão no negócio e mão de obra nas propriedades. Essas questões afetam a sustentabilidade econômica do produtor.

Preços futuros e competição internacional

Segundo Ma, a resistência do produtor a estratégias de mercado futuro decorre de uma cultura de produção que “tira leite” e entrega o produto, em vez de negociar o preço. Ele defende que o Brasil precisa adotar mecanismos de precificação antecipada para nivelar a competição com multinacionais.

A concentração da indústria laticínea é citada como fator que aumenta a dependência de negociação dos produtores. A organização em maior escala permitiria maior poder de barganha, segundo ele. Em relação à competição com leite importado, o Brasil é afetado por dumping de Argentina e Uruguai, com margens de até 60%, afirma Ma, que defende a adoção de medidas antidumping para igualar condições de competição.

Perspectivas para o consumidor e a produção

Ma aponta que o consumo tem evoluído para produtos premium, funcionais e proteínas, mas a remuneração ainda é baseada no volume. Ele afirma que o Brasil precisa migrar para remuneração por sólidos (gordura e proteína) para competir com tradições internacionais. Além disso, destaca a necessidade de ampliar a adoção tecnológica e a escala de produção entre os produtores, para melhorar margens.

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