- O uso de corticoides sem orientação médica pode causar glaucoma, elevando a pressão intraocular.
- Estima-se que pelo menos 1,7 milhão de brasileiros convivam com glaucoma; entre pessoas com mais de 40 anos, 2,5% a 3,5% já têm a doença.
- Colírios e outros medicamentos com corticoides usados sem acompanhamento médico podem provocar glaucoma.
- Entidades oftalmológicas encaminharam nota a Anvisa, Ministério da Saúde e Congresso, pedindo medidas de controle e maior rigor, parecidas com as aplicadas aos antibióticos.
- Cerca de noventa por cento dos pacientes com glaucoma são sensíveis aos corticoides, o que pode aumentar a pressão ocular; recomenda-se monitorar a pressão intraocular, principalmente em crianças e grupos de risco.
O uso indiscriminado de corticoides, obtidos sem receita, pode levar ao desenvolvimento e à piora do glaucoma. A alerta parte da Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG), com participação do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e da SBOP. O objetivo é informar sobre riscos da automedicação.
Segundo o presidente da SBG, Roberto Murad Vessani, o glaucoma aumenta a pressão intraocular e pode provocar cegueira se não tratado. Estima-se que cerca de 1,7 milhão de brasileiros convivam com a doença, com 2,5% a 3,5% da população acima de 40 anos já afetada.
Riscos e mecanismos
O uso de colírios, pomadas ou comprimidos com corticoides sem acompanhamento médico pode elevar a pressão intraocular. Esses fármacos reduzem a drenagem do humor aquoso, acumulando líquido no globo ocular e prejudicando o nervo óptico com o tempo.
Além da visão, a automedicação pode provocar efeitos sistêmicos como elevação da glicose, ganho de peso, hipertensão e alterações hormonais. A repetição de sintomas sem orientação aumenta o uso inadequado e os riscos à saúde.
Ações das entidades e propostas
As entidades solicitaram à Anvisa, ao Ministério da Saúde, ao Congresso Nacional e a médicos de diversas especialidades que adotem medidas de controle semelhantes às usadas com antibióticos, incluindo envio de receita e retenção na farmácia. A ideia é reduzir o autotratamento.
O objetivo é disseminar informações entre profissionais de ortopedia, reumatologia, pediatria e geriatria, que frequentemente prescrevem corticoides para condições crônicas. A esperança é melhorar a segurança na prescrição e evitar impactos na visão.
Campanhas e sensibilização
Campanhas conjuntas da SBG, CBO e SBOP buscam instruir outras especialidades sobre os riscos do uso crônico de corticoides. A comunicação visa reduzir eventos de aumento da pressão ocular e evitar glaucoma em pacientes já diagnosticados.
Grupos de risco e monitoramento
Cerca de 90% dos pacientes com glaucoma são especialmente sensíveis aos corticoides, alertou Vessani. Crianças alérgicas podem desenvolver pressão ocular elevada ou catarata precocemente se usarem colírios com corticoides sem supervisão.
Especialistas destacam a necessidade de monitorar a pressão intraocular após o início de tratamentos com corticoides por períodos prolongados, principalmente em crianças e pacientes com histórico de glaucoma.
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