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Estudo brasileiro aponta melancia como aliada da saúde cardiovascular

Revisão brasileira aponta que a melancia é a principal fonte de L-citrulina, ligada à vasodilatação e proteção arterial; para efeito, é preciso consumir muito

Fotografia de pedaços de melancias.
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  • Revisão de 124 estudos, com participação de pesquisadores da UFRJ, aponta que tanto a polpa quanto a casca da melancia concentram compostos com potencial cardioprotetor, especialmente a L-citrulina.
  • A L-citrulina pode ser convertida em L-arginina, essencial para a produção de óxido nítrico, que favorece vasodilatação, regula a pressão arterial e protege o coração contra inflamação e oxidação de LDL.
  • A melancia é considerada a melhor fonte alimentar de L-citrulina; a casca traz mais do composto que a polpa, mas é preciso consumir de 1 a 3 kg de casca ou de 3 a 5 kg de polpa por dia para atingir a dose eficaz de 2 a 3 gramas.
  • Além da L-citrulina, a fruta oferece vitaminas, minerais, carotenoides (licopeno na versão vermelha; betacaroteno na amarela) e compostos fenólicos benéficos ao coração.
  • Recomenda-se consumo in natura para manter nutrientes; a casca pode virar geleias, conservas e as sementes podem ser torradas; ainda assim, a melancia não substitui hábitos alimentares equilibrados.

A melancia pode ir além da hidratação em dias quentes. Uma revisão narrativa de 124 estudos, realizada por pesquisadores da UFRJ, aponta que tanto a polpa quanto a casca concentram compostos com potencial cardioprotetor, especialmente a L-citrulina. O trabalho foi publicado na revista Nutrients.

A substância está associada à vasodilatação e à regulação da pressão arterial, ao favorecer a produção de óxido nítrico. A melancia é apontada como a principal fonte alimentar de L-citrulina, com maior concentração na casca.

A pesquisa envolveu a identificação de L-citrulina na melancia Citrullus lanatus e ressaltou que, no organismo, o aminoácido pode gerar L-arginina, crucial para a síntese de óxido nítrico. Esse composto ajuda a proteger vasos sanguíneos e reduzir inflamações.

Segundo os autores, a melancia madura apresenta maior acúmulo de L-citrulina. A casca mostra teores entre 60 e 500 mg/100 g, enquanto a polpa varia de 40 a 160 mg/100 g. Ainda assim, alcançar doses eficazes exigiria ingestão elevada.

Para viabilizar o uso da substância, os pesquisadores sugerem desenvolver produtos concentrados, como um pó, que facilitaria o transporte, armazenamento e a obtenção de maiores quantidades de L-citrulina.

Outros nutrientes e impactos na saúde

Além da L-citrulina, a polpa e a casca fornecem carboidratos, vitaminas e minerais, com baixo valor energético. As sementes trazem proteínas, lipídios e vitamina E, complementando o perfil nutricional da fruta.

A melancia vermelha acumula licopeno; versões amarelas contêm betacaroteno. Esses carotenoides possuem ação antioxidante e pesquisas apontam efeitos benefícios ao sistema cardiovascular.

Fitoquímicos como compostos fenólicos também aparecem entre os componentes de interesse, associados à proteção de tecidos e redução de danos oxidativos. Tais substâncias contribuem para a defesa cardiovascular em diferentes contextos.

A fruta ainda apresenta eletrólitos como potássio e magnésio, favorecendo a hidratação, especialmente em clima quente ou durante atividades físicas. A alta palatabilidade facilita o consumo em maior volume sem grande impacto calórico.

Apesar dos potenciais, especialistas alertam que nenhum alimento sozinho previne ou trate doenças. Uma alimentação equilibrada, com diversidade de nutrientes, é o caminho recomendado para a saúde cardiovascular.

In natura, a melancia mantém melhor seus nutrientes. Pode ser consumida no café da manhã, como sobremesa ou em lanches. Preparações como sucos, smoothies, picolés e saladas também são alternativas.

Casca, polpa e sementes ganham destaque em usos culinários: geleias, conservas e snacks. Ao comprar, prefira o fruto inteiro para reduzir riscos de contaminação durante o corte. Fonte: Agência Einstein.

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