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Fóssil de tartaruga gigante é descoberto em rio da Amazônia

Pesquisadores enfrentam desafios para transportar e analisar casco de tartaruga gigante encontrado no Acre, revelando segredos do passado amazônico.

Barqueiros em volta do fóssil de uma antiga tartaruga gigante; pesquiadores acreditam se tratar de uma Stupendemys geographicus, com fósseis bem conservados também já encontrados na Colômbia e na Venezuela (Foto: LPP/UFAC/USP)
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  • Pesquisadores brasileiros descobriram um casco bem preservado de uma tartaruga gigante no Acre durante uma expedição em busca de fósseis na Amazônia, em 17 de junho.
  • A carapaça, com cerca de 1,3 metro, é possivelmente da espécie Stupendemys geographicus, já encontrada em fragmentos na Colômbia e na Venezuela.
  • O grupo, formado por barqueiros e cientistas da Universidade Federal do Acre, da Universidade de São Paulo e da Universidade Estadual de Campinas, encontrou o fóssil exposto devido à baixa do rio.
  • O transporte do fóssil para o laboratório enfrentou dificuldades, incluindo a necessidade de um molde de gesso e o uso de cinco barcos.
  • A pesquisa poderá oferecer insights sobre o ecossistema da época e as conexões hidrológicas entre Brasil, Colômbia e Venezuela.

Pesquisadores brasileiros descobriram um casco bem preservado de uma tartaruga gigante no Acre, durante uma expedição em busca de fósseis na Amazônia. O achado ocorreu em 17 de junho, em um local de difícil acesso, a 5 a 7 horas da cidade de Assis Brasil. A carapaça, que mede cerca de 1,3 metro, é possivelmente da espécie Stupendemys geographicus, já encontrada em fragmentos na Colômbia e na Venezuela.

O grupo, composto por barqueiros e cientistas da Universidade Federal do Acre (Ufac), da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ficou surpreso ao encontrar o fóssil em bom estado. Carlos D’Apolito, pesquisador da Ufac, destacou que a carapaça estava exposta devido à baixa do rio, que revelou o fóssil. Além da carapaça, ossos de fêmur e úmero também foram encontrados no local.

Desafios no Transporte

Após a descoberta, o transporte do fóssil para o laboratório enfrentou dificuldades. A expedição utilizou cinco barcos, sendo um deles mais largo e carregado de equipamentos. Para preservar o fóssil, um molde de gesso foi feito ao redor da carapaça, e uma lona foi colocada sobre ela. A descida do rio foi complicada, com o grupo enfrentando bancos de areia por nove horas até chegar a Assis Brasil.

Na cidade, o fóssil não cabia na caminhonete, o que atrasou seu transporte para a Ufac. Após alguns dias, o fóssil foi finalmente levado em um caminhão. Os próximos passos incluem a limpeza e remontagem do fóssil, que sofreu danos durante o transporte. D’Apolito mencionou que será como montar um quebra-cabeça, e análises futuras poderão confirmar se se trata da mesma espécie encontrada em outros países.

Implicações Científicas

A descoberta levanta questões sobre o ecossistema da época em que a tartaruga viveu. D’Apolito questiona que tipo de corpo d’água seria necessário para sustentar uma população viável de tartarugas de três metros. Além disso, a pesquisa pode oferecer insights sobre as conexões hidrológicas entre Brasil, Colômbia e Venezuela há milhões de anos.

Embora fósseis grandes chamem a atenção, D’Apolito ressalta que fósseis menores podem ter importância científica maior. O próximo desafio da equipe é garantir recursos para uma mesa de laboratório que acomode o tamanho do fóssil para suas análises.

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