Pesquisadores analisaram um crânio de 150 mil anos, chamado Homo longi, encontrado na China, e descobriram que ele tem semelhanças com os denisovanos, um grupo extinto de humanos. Essa análise de proteínas, publicada na revista Science, sugere que muitos hominínios da Ásia podem ser da mesma linhagem dos denisovanos. Desde 2010, sabemos que os denisovanos viveram na Ásia, após a descoberta de um dedo mindinho na Sibéria. Eles eram geneticamente diferentes dos humanos modernos e houve cruzamentos entre as duas linhagens. A nova pesquisa mostra que o crânio de Homo longi apresenta alterações em proteínas que são exclusivas dos denisovanos, o que pode mudar nossa compreensão sobre a diversidade de hominínios na Ásia. Se esses resultados forem aceitos, o nome Homo longi pode substituir o termo denisovano na ciência.
A análise de proteínas de um crânio de 150 mil anos, conhecido como Homo longi, pode esclarecer o mistério dos denisovanos, parentes extintos da humanidade. Os fragmentos proteicos extraídos revelam semelhanças significativas com a biologia molecular dos denisovanos, que até então eram estudados principalmente por meio de DNA.
O crânio foi encontrado próximo a Harbin, na China, e o estudo foi publicado na revista *Science* em 18 de outubro de 2023. Coordenado pela especialista em DNA antigo Qiaomei Fu e seus colegas Huiyun Rao e Qiang Ji, o trabalho sugere que muitos hominínios asiáticos da época podem pertencer à mesma linhagem dos denisovanos.
Desde 2010, a presença dos denisovanos na Ásia é conhecida, após a análise de um dedo mindinho encontrado na caverna de Denisova, na Sibéria. Estudos subsequentes mostraram que esses hominínios eram geneticamente distintos dos humanos modernos e que houve hibridização entre as duas linhagens, resultando em traços denisovanos em diversas populações, incluindo indígenas das Américas e grupos da Oceania.
Avanços na Paleoproteômica
A falta de restos ósseos completos dificultou a descrição formal dos denisovanos. No entanto, os avanços na paleoproteômica, que analisa proteínas antigas, têm possibilitado comparações mais precisas. As proteínas extraídas do crânio de Homo longi permitiram uma comparação indireta com o DNA de outros hominínios, como neandertais e humanos modernos.
Os dados indicam que o indivíduo de Harbin apresenta três alterações em aminoácidos exclusivas da linhagem denisovana, especificamente do grupo conhecido como Denisova 3. Essa descoberta pode levar a uma reavaliação da diversidade de hominínios na Ásia, sugerindo que muitos deles eram, na verdade, denisovanos.
Implicações Futuras
A nomenclatura científica pode mudar, já que o nome Homo longi poderia prevalecer sobre o termo denisovano, caso os resultados sejam amplamente aceitos. A pesquisa continua a revelar a complexidade da evolução humana e a inter-relação entre diferentes linhagens de hominínios, ampliando nosso entendimento sobre a história da humanidade.
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