Após um longo período de guerra civil, crise alimentar e uma economia em declínio, Mianmar foi atingido por um forte terremoto de magnitude 7,7 na última sexta-feira, afetando a cidade de Sagaing e causando destruição em Mandalay e na capital, Naypyidaw. A comunicação nas áreas afetadas é precária, com muitos sem eletricidade e acesso limitado […]
Após um longo período de guerra civil, crise alimentar e uma economia em declínio, Mianmar foi atingido por um forte terremoto de magnitude 7,7 na última sexta-feira, afetando a cidade de Sagaing e causando destruição em Mandalay e na capital, Naypyidaw. A comunicação nas áreas afetadas é precária, com muitos sem eletricidade e acesso limitado à internet, dificultando a obtenção de informações sobre vítimas e operações de resgate. A junta militar, que controla os meios de comunicação, declarou estado de emergência em várias regiões, mas não divulgou dados oficiais sobre o desastre.
Desde o golpe de Estado em 2021, liderado pelo general Min Aung Hlaing, Mianmar enfrenta uma intensa repressão e um aumento da violência. O governo militar deteve a líder deposta Aung San Suu Kyi e outros membros do governo, alegando fraude nas eleições de 2020, que resultaram em uma vitória esmagadora do partido de Suu Kyi. As manifestações populares contra o regime militar foram reprimidas com força, levando a um conflito armado que já deslocou mais de 3,5 milhões de pessoas, segundo a ONU.
A situação humanitária se agravou com a inflação e a insegurança alimentar, que atingiram níveis alarmantes. A ONU anunciou cortes de ajuda a mais de um milhão de pessoas em Mianmar devido a falta de financiamento. Além disso, o país já havia enfrentado desastres naturais, como as inundações provocadas pelo Tufão Yagi, que causaram a morte de mais de 200 pessoas e destruíram vastas áreas agrícolas.
O terremoto recente, que atingiu uma região marcada por conflitos, pode intensificar ainda mais a crise humanitária. Relatos indicam que um hospital em Naypyidaw se tornou um “local de múltiplas vítimas”, com muitos feridos chegando após o colapso de estruturas. A resposta da junta militar ao desastre permanece incerta, enquanto o país continua a lutar contra a instabilidade e a violência.
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