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História de dor e resistência: a luta de Gregório Gomes pela memória do pai torturado

- Gregório Gomes da Silva, engenheiro de 57 anos, vive a dor da perda do pai. - O filme "Ainda Estou Aqui" será exibido no Oscar, destacando a luta por justiça. - Virgílio Gomes da Silva, pai de Gregório, foi torturado e morto em 1969. - Gregório cresceu no exílio, sabendo da repressão e da história de seu pai. - A Comissão Nacional da Verdade reconheceu a morte de Virgílio como violência do Estado.

Gregório Gomes da Silva, engenheiro de 57 anos, expressa a dor de quem teve um parente desaparecido ao afirmar: “Todos nós que tivemos um parente desaparecido somos um pouco Paiva”, referindo-se à família de Rubens Paiva, ex-deputado assassinado pela ditadura militar. No dia 2 de março, enquanto o Brasil assiste à premiação do Oscar, o […]

Gregório Gomes da Silva, engenheiro de 57 anos, expressa a dor de quem teve um parente desaparecido ao afirmar: “Todos nós que tivemos um parente desaparecido somos um pouco Paiva”, referindo-se à família de Rubens Paiva, ex-deputado assassinado pela ditadura militar. No dia 2 de março, enquanto o Brasil assiste à premiação do Oscar, o filme “Ainda Estou Aqui” traz à tona a história de muitos, incluindo a de Virgílio Gomes da Silva, pai de Gregório, que foi torturado e morto em 1969.

Virgílio, um militante do PCB e da ALN, foi um dos primeiros a ser considerado desaparecido sob tortura. Ele deixou quatro filhos, e sua esposa, Ilda Martins, também foi sequestrada, passando nove meses presa. Gregório, que tinha menos de dois anos na época, recorda que sua mãe contava sobre a situação no Brasil, permitindo que ele entendesse os horrores que sua família enfrentou. “As crianças mais velhas contavam para as mais novas”, relembra.

Após o exílio em Cuba, onde viveu boa parte da vida, Gregório percebeu que sua identidade estava marcada pela luta contra a ditadura. Ao retornar ao Brasil em 1990, ele se deparou com a realidade de que os torturadores de seu pai ainda estavam nas ruas. “Sabia quem eram os torturadores do meu pai e que eles estavam andando pelas ruas”, afirma. A Lei da Anistia, que beneficiou os militares, dificultou a busca por justiça e reparação.

Somente em 2014, através da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos, Gregório conseguiu o atestado de óbito do pai, que reconheceu a morte como resultado da violência do Estado. “É uma reparação que o Estado devia, e deve, às famílias”, conclui. A luta por justiça e memória continua, refletindo a dor de muitos que ainda buscam respostas sobre os desaparecidos da ditadura.

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