- Na Colômbia, Abelardo de la Espriella venceu em rounds finais das presidenciais, entrando na linha de frente de uma tendência regional de direita e ultradireita.
- Em doze dezoito países analisados, governos de direita ou extrema direita passaram a dominar a política latino‑americana, com foco em segurança, restrição de direitos e alianças próximas aos modelos de Donald Trump.
- O conjunto de direita na região costuma combinar combate à criminalidade com discursos anti‑establishment, uso intenso de redes sociais e ataques a direitos de mulheres, minorias e movimentos sociais.
- Peru, Chile e outras nações mostraram trajetórias semelhantes: vitória de candidatos de direita que defendem ordem, cortes de gastos sociais e políticas de endurecimento contra a violência.
- Especialistas destacam que, mesmo com esse avanço, não há uma maioria regional, e a esquerda busca se recalibrar frente a uma desilusão com o status quo, enquanto a direita consolida redes transnacionais e estratégias de comunicação.
Colômbia entra na curva de crescimento da direita ultraconservadora que avança pela América Latina. A vitória apertada de Abelardo de la Espriella na segunda turno colocou o país no eixo de 12 eleições recentes em que modelos de segurança dura e recorte de direitos ganharam força regionalmente, impulsionados por uma retórica antiestablishment.
Analistas apontam que a direita latino-americana atua com fortes vínculos internacionais, incluindo apoio de figuras associadas a Donald Trump. A agenda combine endurecimento da segurança, restrições a direitos de mulheres e minorias, além de alianças políticas que atravessam fronteiras.
Percebe-se uma linha comum entre governos recentes em países como Argentina, El Salvador, Chile e Brasil: discurso antisistema, uso intenso da tecnologia nas campanhas e promoção de políticas de ordenamento que privilegiam segurança pública e medidas de contenção de crises sociais. Em parte, isso decorre de descontentamento com o status quo.
Contexto regional
A eleição colombiana ocorreu dois meses após a vitória conservadora no Peru, onde Keiko Fujimori ficou próxima da vitória com foco na ordem e na repressão à violência. Em paralelo, Chile assistiu à ascensão de uma direita marcadamente anticorrupção e de reformas profundas.
Especialistas destacam que esse movimento não significa necessariamente apoio maciço às medidas mais radicais. Em polos diversos, a população busca respostas rápidas para violência, pobreza e desemprego, o que facilita a imagem de gestores que prometem mudanças rápidas, mesmo que com custos em direitos civis.
Leitura de especialistas
Pesquisadores observam que, embora haja avanços da direita em várias nações, não se pode afirmar um apoio majoritário uniforme à região. O descontentamento com o modelo estabelecido alimenta a ascensão de líderes que defendem endurecimento institucional, combate às criminalidades e uma leitura cultural de confrontação com o que chamam de progressismo.
Entre as tendências, a comparação com o exemplo de Nayib Bukele é frequente: medidas de exceção, pressões sobre o Judiciário e ações estatais agressivas. Em alguns países, avanços similares não resultam em redução consistente da violência, gerando debates sobre eficácia e direitos humanos.
Desafios para a Colômbia
A gestão de De la Espriella enfrentará o desafio de transformar promessas de ruptura em políticas concretas, sem depender de alianças históricas. A vitória ocorreu em ambiente de alta polarização, com forte presença de redes sociais e uso de estratégias de comunicação de alto impacto.
Paralelamente, a esquerda enfrenta desgaste e precisa reconquistar mobilização jovem e sustentabilidade de propostas. A região vive ainda impactos de desigualdades estruturais, violência criminal e impactos econômicos da pandemia, que alimentam o discurso de “ordem” como solução imediata.
Observação final
As análises indicam que o espectro político latino-americano continua a oscilar entre propostas de segurança mais rígidas e agendas de direitos civis, com impactos diretos na vida cotidiana da população. A transformação institucional dependerá da capacidade de governantes de equilibrar leis, políticas sociais e respeito aos direitos.
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