- A líder do One Nation, Pauline Hanson, sugeriu que mulheres não recebam remuneração pela licença-maternidade pelo empregador e defende a divisão de renda familiar.
- Economistas alertam que abandonar a licença parental remunerada pode atrasar décadas, ampliar a desigualdade de gênero e prejudicar a independência financeira das mulheres.
- A proposta de divisão de renda familiar permitiria somar a renda de ambos os pais e repartir sem faixas de isenção, o que poderia reduzir a renda de casa e incentivar menos trabalho fora de casa.
- Hanson também pediu uma reformulação do sistema de creche, citando custo atual de cerca de $16 bilhões por ano e defendendo repassar recursos diretamente aos pais; há receio de maior fraude com pagamentos diretos.
- Especialistas destacam que políticas de manter mulheres no mercado de trabalho beneficiam produtividade, enquanto mudanças significativas podem causar escassez de habilidades e maior pressão por imigração.
Pauline Hanson, líder do One Nation, propôs mudanças profundas no tema de licença parental remunerada e cuidado infantil durante discurso no National Press Club, em Canberra. A ideia envolve reduzir o apoio público atual, com foco em políticas de divisão de renda familiar.
Economistas alertam que recuar na cobertura paga da parentalidade poderia aprofundar a desigualdade entre homens e mulheres e impactar decisões de carreira. O cálculo seria de efeitos persistentes na participação feminina no mercado.
A proposta também inclui uma revisão do sistema de creches, que hoje custa em torno de 16 bilhões de dólares por ano. Hanson sugeriu direcionar recursos diretamente aos pais, em vez de às prestadoras de cuidado.
Especialistas apontam que manter o incentivo à permanência das mulheres no mercado de trabalho é crucial para produtividade e bem-estar. A permanência das mães na força pode melhorar o ajuste entre cargo e habilidades.
Paula Risse, economista associada à Queensland University of Technology, destacou que políticas de licença parental pagas ajudam a reduzir lacunas salariais e fortalecem independência financeira e atuação profissional das mulheres.
Silvia Griselda, economista independente, afirmou que políticas para incentivar mães a ficarem em casa podem gerar escassez de habilidades e maior necessidade de imigração para suprir o mercado.
A pesquisadora observou que dividir renda pode parecer justo, mas exige desenho cuidadoso para não prejudicar a independência financeira das mulheres. Risse acrescentou que o objetivo é manter autonomia financeira.
O One Nation não respondeu, até o momento, a perguntas do Guardian Australia sobre continuidade de apoio a licença parental financiada pelo governo. A legenda acompanha a cobrança pública por detalhes de propostas.
Caroline Croser-Barlow, CEO da The Front Project, defende a importância de creches de alta qualidade para famílias que trabalham. Ela comparou a necessidade de organização ao planejamento de obras.
Para a direção do partido, a ideia é reduzir custos estatais com educação infantil e estimular a educação domiciliar. Críticos alertam para riscos de fraude e queda na qualidade se recursos forem redirecionados.
O tema divide especialistas entre quem vê ganhos em arranjos de renda familiar e quem teme impactos negativos na participação feminina e na economia. Economistas reforçam a necessidade de políticas bem desenhadas.
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