- Abstenção nas eleições presidenciais tem sido uma tendência consistente, chegando a 20,95% no último pleito, com possibilidade de superar 22% no primeiro turno de 2026.
- Entre 2006 e 2022, o índice de ausentes passou de 16,75% para 20,95%, aumentando o contingente de eleitores ausentes de 21 milhões para 33 milhões.
- Em um universo de 158 milhões de aptos a votar, especialistas apontam que a abstenção pode passar dos 35 milhões, caso a tendência continue.
- Fatores como desencanto com a política, mudanças demográficas e dificuldades logísticas ajudam a explicar o fenômeno; mesmo com polarização, não houve aumento automático de comparecimento em 2018 e 2022.
- A multa por não votar (R$ 3,50) é considerada baixa e, combinada com deslocamentos e mudanças de domicílio, contribui para a continuidade do ausentismo.
A abstenção tem se mantido como uma das tendências mais fortes nas eleições presidenciais, segundo o Tribunal Superior Eleitoral. No primeiro turno, o número de eleitores ausentes subiu ao longo de cinco pleitos, chegando a 20% da votação em 2018 e a 20,95% em 2022.
Entre 2006 e 2022, o percentual ausente aumentou de 16,75% para 20,95%, e o contingente absoluto saltou de 21 milhões para 33 milhões de eleitores. Especialistas indicam que, se o ritmo seguir, o patamar pode superar 35 milhões.
A eleição de 2026 será um teste importante para essa tendência. Caso a curva se mantenha, a abstenção pode passar dos 22% no primeiro turno, ampliando o total de eleitores que não participa do pleito.
Cenário e impactos
Analistas destacam que o fenômeno pode influenciar a dinâmica de campanha, com maior mobilização para eleitores que costumam faltar. A mobilização de moderados tende a ser desafiada, o que reforça a importância de estratégias de comunicação para esse grupo.
Apesar da polarização, dados indicam que eleitores de diferentes espectros podem não comparecer. Em 2022, por exemplo, o resultado do pleito não impediu o recorde de abstenção no primeiro turno, ainda que o segundo turno tenha registrado ligeira queda.
Especialistas observam que a combinação de fatores econômicos e institucionais alimenta o desencanto com a política. A partir disso, o voto pode perder o caráter de obrigação cívica para muitos eleitores.
Fatores demográficos e prazos
A idade avançada continua influenciando as taxas de comparecimento, pois votar é facultativo para maiores de 70 anos. Mudanças de domicílio e dificuldade de deslocamento também elevam a ausência, principalmente nas áreas metropolitanas.
A desilusão com a arena pública, associada a crises políticas recentes, contribui para o afastamento. Por outro lado, a digitalização de serviços públicos ajudou a reduzir algunos entraves logísticos para votar.
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