- OMB apresentou uma proposta para controlar como serão gastos os recursos federais destinados a pesquisa, incluindo parcerias internacionais.
- Stand Up for Science, liderada por Colette Delawalla, atua com visitas a Capitólio e mobilização de comentários públicos, com quase 31 mil manifestações até quinta-feira.
- A regra pode restringir linhas de pesquisa com colaborações internacionais e exigir que financiamentos discricionários avancem prioridades do presidente.
- A organização estima que, sob a regra, centenas de ensaios clínicos financiados pelo NIH poderiam ser interrompidos, incluindo estudos sobre câncer, pediatria, veterans e doenças como diabetes.
- Há estratégias legais em estudo e a coalizão intensifica o debate público, afirmando que a regra ameaça o ecossistema científico dos EUA.
A proposta da Casa Branca para controlar como os recursos federais destinados à pesquisa podem ser usados ameaça desmontar o ecossistema científico dos EUA, segundo a organização Stand Up for Science. A crítica vem após o anúncio do regulamento feito pelo diretor do OMB, Russ Vought, em 29 de maio. O texto prevê que bolsas e projetos passem a ficar sob controle de indicados políticos, em vez de especialistas.
Colet Delawalla, psicóloga clínica e fundadora do Stand Up for Science, reuniu mais de 30 membros do Congresso durante uma visita a Washington para discutir o tema. Em Ronald Reagan Washington National Airport, ela relatou que a regra pode dificultar estudos que envolvem colaboração internacional, como ensaios clínicos sobre saúde mental de pais após a perda de um filho.
Segundo a organização, até a manhã de quinta-feira já havia cerca de 31 mil comentários cadastrados no site do governo para a consulta pública sobre a proposta, com prazo de defesa até 13 de julho. A denúncia é de que a norma restringe a liberdade acadêmica e pode abrir espaço para interferência política.
Delawalla afirmou, em entrevista por telefone, que a regra abriria um “fundo de 1,5 trilhão de dólares sob controle de autoridades federais” e que o objetivo seria alinhar os desembolsos aos prioritários da administração. A crítica descreve o texto como uma forma de centralizar decisões em Brasília e Washington.
A organização também está estudando caminhos legais caso o regulamento avance. Uma reunião virtual com cerca de 50 advogados, realizada na semana anterior, discutiu estratégias para contestar a norma caso seja aprovada.
Entre as experiências de campo, Delawalla relatou que apenas uma das dezenas de congressistas com quem conversou parecia bem informada sobre o conteúdo de 411 páginas da proposta. Um veterano do Partido Democrata, segundo ela, sugeriu que o executivo poderia cancelar bolsas, o que a líder crítica considera uma posição de incompreensão sobre o impacto da medida.
Stand Up for Science também analisou, com base em dados do NIH, que cerca de metade de cerca de 10 mil ensaios financiados pela instituição poderia ser descontinuada caso a regra seja implementada. Estudos sobre câncer, pediatria, saúde de veteranos, suicídio e doenças cardíacas estariam entre as áreas afetadas.
Elizabeth Ginexi, ex-funcionária do NIH que deixou o órgão no ano passado, descreveu a regra como um ataque sem precedentes à autonomia de pesquisa. Ela destacou o papel da organização na mobilização de cidadãos sem formação científica para a participação democrática.
Delawalla, de 32 anos, permanece dedicada a apresentar a importância da ciência para políticas públicas. Em seus relatos, enfatiza que decisões sobre pesquisa com financiamento federal devem permanecer sob critérios técnicos, para evitar censuras ou restrições inadequadas. Stand Up for Science tem trabalhado para ampliar o debate público e a participação cívica.
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