- Michel Barnier, ex-negociador da União Europeia, lembra Boris Johnson e diz que ele atuava de forma cínica para conquistar poder.
- Barnier acredita ser possível a possibilidade de o Reino Unido reingressar na UE com opt-outs, mantendo alguns acordos anteriores.
- Ele sustenta que os problemas do Reino Unido hoje não são inteiramente culpa da Brexit, mas que o Brexit tornou tudo mais difícil; também aponta falhas da UE, que deveriam ter ocorrido antes.
- Propõe a criação de um Conselho Europeu de Defesa e Segurança que incluiria Reino Unido, Ucrânia e Noruega, com cooperação em projetos militares e tecnologias disruptivas.
- O ex-primeiro-ministro francês também comenta o cenário político europeu, incluindo o risco de vitória de opções de extrema direita, e não prevê quando o Reino Unido poderia retornar à UE.
Michel Barnier concedeu que o mundo está instável e afirmou que é possível que o Reino Unido reentre no bloco no futuro, mesmo com opt-outs históricos. Em entrevista, o ex-negociador europeu tratou de Brexit, Johnson e o futuro da União.
O francês, que hoje representa uma circunscrição de Paris no Parlamento Europeu, recordou episódios da fase de negociações pós-referendo e relatou entrevistas com atores como Boris Johnson, David Frost e Ursula von der Leyen, além de comentar cenários políticos na UE.
Barnier detalhou que, em suas memórias, Johnson manteve uma postura europeísta no início, mas adotou uma linha pragmática que o autor considera cínica para conquistar poder. Segundo o ex-negociador, essa atitude refletiria uma estratégia de curto prazo.
O ex-chefe da equipe de negociações da UE destacou que as dificuldades econômicas do Reino Unido não podem ser atribuídas apenas à União Europeia, mas que o Brexit intensificou problemas existentes. Ele citou imigração, crescimento fraco e disputas internas.
Quanto à possibilidade de retorno do Reino Unido à UE, Barnier afirmou que é teoricamente viável manter, mesmo com ajustes, o regime de opt-outs. Observou que a solidariedade na UE é parte estrutural do bloco e que a questão fiscal britânica permanece em aberto.
Sobre política de defesa, Barnier mencionou a criação de um Conselho Europeu de Defesa e Segurança que incluiria Reino Unido, Ucrânia, Noruega e membros da UE, com cooperação para projetos militares e tecnológicos. O objetivo seria ampliar cooperação estratégica.
O francês reiterou que as negociações de 2019 sobre uma declaração de cooperação externa não devem ser esquecidas, ainda que o governo Johnson tenha revirado o acordo. Na visão dele, a rigidez de posições dificultou avanços em temas de defesa e comércio.
Barnier não descartou a possibilidade de mudanças na relação futura entre Reino Unido e UE, mantendo o tom de cautela. Questionado sobre a eventual reentrada, afirmou ser cedo para previsões, dada a volatilidade global.
Questionado sobre o cenário político europeu, Barnier comentou o risco de ascensão de lideranças radicais e ressaltou a necessidade de manter a coesão da UE. Ele citou a importância de evitar que extremistas mobilizem votos.
Em relação à trajetória pessoal, Barnier afirmou buscar útil participação pública, sem desfechos planejados, e reforçou que o debate sobre a relação entre Reino Unido e UE continua relevante para a segurança e a economia do continente.
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