- O texto alerta que o multilateralismo climático está inoperante diante de tensões geopolíticas, levando a uma espécie de “zumbi” formal que não gera ambição suficiente para enfrentar a crise.
- Surgem processos plurilaterais, como a conferência de Santa Marta, que reúne 57 países e diversos atores, para avançar a fase-out de combustíveis fósseis e migração de metas para implementação prática.
- Em Santa Marta, houve avanço rumo a mapas nacionais de eliminação gradual de carvão, petróleo e gás, com planos para 2027, em conferência organizada por Tuvalu e Irlanda.
- Observa-se abertura para cooperação em áreas como governança de IA e minerais críticos, com mecanismos de inclusão e acesso aberto a novos acordos, ligados a uma visão de “multilateralismo novo”.
- Desafios permanecem: ausência de grandes emissores, risco de exclusão de países, e necessidade de tradução dos compromissos plurilaterais em linguagem e ações que possam ser adotadas nos ambientes da COP e em contribuições nacionais.
O texto analisa a passagem de um multilateralismo fragilizado para um plurilateralismo ativo em clima, IA e minerais críticos. A ideia central é que coalizões de países dispostos estão acelerando ações em campos transnacionais, mesmo sem a unanimidade dos fóruns formais da ONU.
A reportagem destaca que, diante de tensões geopolíticas, a diplomacia climática ficou menos capaz de promover ambição coletiva. Convênios tradicionais enfrentam bloqueios e linguagem comprometida, o que favorece estratégias de cooperação mais ágeis entre grupos menores.
Nesse cenário, surgem iniciativas paralelas que buscam compromissos práticos e implementação rápida. O objetivo é criar espaço político para avanços em mitigação climática, governança de IA e gestão de minerais críticos, com a possibilidade de retorno aos fóruns multilaterais maiores no futuro.
Conferência de Santa Marta
Em abril, Colômbia e Países Baixos promoveram a primeira Conferência sobre a Transição do Frenimento de Combustíveis Fósseis, em Santa Marta. O encontro reuniu 57 países e diversos stakeholders globais, como governos subnacionais, sociedade civil, cientistas e comunidades indígenas.
A reunião sinalizou insatisfação com negociações climáticas formais que, segundo críticos, diluem compromissos. Um marco foi a aproximação prática entre descarbonização e elaboração de roteiros nacionais para a eliminação gradual de carvão, petróleo e gás. Países anunciaram caminhos para metas alinhadas ao Acordo de Paris.
A conferência também funcionou como laboratório político. Sem a presença de grandes emissores como China e EUA, os organizadores dizem que o formato pretende ser complemento aos trabalhos da COP, não substituto. Um novo encontro está confirmando para 2027, com co-organização de Tuvalu e Irlanda.
Desafios e limites
O modelo plurilateral enfrenta desafios de representatividade e impacto real. A ausência de grandes emissores no grupo de Santa Marta levanta dúvidas sobre a capacidade de reduzir emissões no ritmo necessário. Ainda assim, a coalizão busca acelerar a geração de soluções práticas e a adesão futura de outras nações.
Outra preocupação é evitar que o processo seja visto como exclusivista. Propõem-se fórmulas abertas de adesão, com critérios claros, para manter a transparência e evitar acusações de elitismo. A relação com o sistema climático formal deve permanecer cooperativa, não confrontacional.
Governança de IA e minerais críticos
O texto aponta que a governança de IA está avançando lentamente no âmbito das Nações Unidas. Enquanto o diálogo global ocorre, grupos menores trabalham em normas de segurança, avaliação de modelos e governança de capacidade computacional via redes internacionais. A meta é estabelecer padrões que possam se expandir.
No campo dos minerais críticos, há propostas para alinhar princípios de justiça, partilha de benefícios e proteção ambiental ao longo da cadeia de valor. A visão plurilateral busca preencher lacunas de governança que persistem no acordo global, com a ideia de criar uma agência internacional de materiais no futuro.
Caminho a seguir
Os autores defendem que coalizões de bem-intencionados funcionam como laboratório de cooperação e aceleradores de ambição. A ideia é traduzir compromissos em ações concretas, que possam, pouco a pouco, ganhar adesão em fóruns multilaterais maiores.
A reportagem ressalta ainda que, para além de clima, IA e minerais críticos, o formato plurilateral pode favorecer a convergência entre políticas digitais, energéticas e industriais. A expectativa é de que, com prazos e metas bem definidos, haja progresso mensurável até a próxima década.
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