- A Missão das Nações Unidas no Líbano (Finul) prevê retirar-se a partir de janeiro de dois mil e vinte e sete, após dezoito anos de presença confirmados para o fim de quarenta e oito anos.
- O contingente envolve sete mil quatrocentos e setenta e oito soldados de quarenta e sete países, incluindo seiscentos e oitenta e quatro espanhóis.
- O sul do Líbano, fronteiriço a Israel, continua sob conflito, com o país vizinho mantendo controle militar de parte do território e a guerra em curso na região.
- Entre março e junho, a Finul contabilizou cerca de cinquenta e três mil setecentos e cinquenta disparos, com aproximadamente seis mil atribuídos a atores não estatais e o restante, em sua maioria, ao Exército de Israel.
- O retorno gradual da Finul suscita preocupação de que a ausência de uma força imparcial possa aumentar a impunidade e riscos de escalada, conforme especialistas e o próprio Exército libanês.
A força de paz da ONU no Líbano, Finul, prevê encerrar sua presença após 48 anos, com a retirada programada para janeiro de 2027. A medida expõe um cenário de continuidade do conflito na região, onde Israel mantém ocupação no sul libanês e lidam com a atuação de Hezbolá. A decisão ocorre em meio a denúncias de impunidade sem a monitorização internacional.
Atualmente, 7.478 soldados de 47 países integram o contingente, incluindo 684 espanhóis, segundo a organização. A missão, criada para arbitrar o alto fogo e apoiar o desarmamento, funciona na faixa sul do Líbano, território de cerca de 600 quilômetros quadrados próximo à fronteira com Israel.
O objetivo inicial da Finul era estabilizar a fronteira após a retirada israelense e garantir o retorno de deslocados. Ao longo dos anos, o papel evoluiu para registrar violações, documentar incidentes e apoiar o governo libanês na presença armada na região. Com o fim prevista, esse papel pode ficar sem supervisão internacional.
Mudanças e impactos
O sul do Líbano tem uma história de conflito desde 1948, com várias invasões de Israel. Em 2006, a resolução 1701 reforçou o desarme de milícias, mas o território continuou sob intensa pressão militar. A Finul afirma que, entre março e junho, houve milhares de lançamentos de mísseis e disparos, com responsabilidade majoritária atribuída a forças israelenses, segundo o relatório da missão.
Diversos analistas destacam o valor da presença internacional como observadora independente em meio ao confronto entre o exército libanês, Hezbolá e forças israelenses. Um historiador alerta que a retirada pode aumentar a sensação de impunidade sem um mecanismo de verificação no terreno.
Os deslocados no sul do Líbano e autoridades locais pressionam pela continuidade de algum tipo de presença internacional, ainda que reduzida, para manter canais de comunicação com as partes envolvidas e facilitar operações humanitárias. A parte libanesa acusa Israel de ampliar a ocupação e de dificultar a atuação das forças de segurança locais.
Na prática, a retirada pode exigir ajustes logísticos para o território, com foco em manter a proteção civil, a assistência humanitária e o apoio à infraestrutura básica. Enquanto isso, a guerra na região continua a exigir manejo cuidadoso para evitar escalada e proteger a população civil.
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