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Morre Jean Ziegler, suíço inspirado em Che Guevara pela justiça global

Sociólogo suíço e líder da esquerda, Jean Ziegler morre aos 92 em Genebra por Parkinson; foi relator da ONU para o direito à alimentação

Jean Ziegler, en la Feria del Libro de Fráncfort (Alemania), en octubre de 2009.
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  • Jean Ziegler morreu em Genebra, aos 92 anos, por complicações da doença de Parkinson, segundo a família, há dois dias.
  • Foi sociólogo e líder da esquerda suíça, atuando como relator especial da ONU para o Direito à Alimentação e criticando a fome como crime ligado ao sistema financeiro.
  • Defendeu a ideia de uma “ordem econômica canibal” e criticou a hipocrisia de agentes europeus em relação à pobreza mundial.
  • Ficou conhecido por denunciar segredos do sistema bancário suíço, incluindo o ocultamento de recursos ligados a evasão fiscal e ao tráfico de drogas, e por publicar cerca de trinta livros.
  • A trajetória também inclui encontros com Che Guevara em 1964, que o inspiraram a atuar dentro do sistema para promovê-lo, além de carreira como deputado, professor na Universidade de Genebra e na Sorbonne, e obras publicadas até os 90 anos, como “Onde está a esperança?”.

Jean Ziegler, sociólogo e figura central da esquerda suíça, morreu em Genebra aos 92 anos por complicações da doença de Parkinson, segundo informações da família. A morte ocorreu há dois dias, conforme anúncio à imprensa.

Foi relator da ONU para o Direito à Alimentação e destacou-se na luta contra a fome, considerando-a crime ligado ao sistema financeiro que especula preços de alimentos. Em entrevistas, ele falava em despertar consciências e responsabilizar atores globais.

Como deputado suíço e líder internacional, criticou o segredo bancário que, segundo ele, favorecia atividades ilícitas. Em décadas passadas, denunciou evasão de capitais e lavagem de dinheiro associadas ao narcotráfico e a práticas financeiras suíças.

Trajetória internacional

Em 1964, Ziegler acompanhou Che Guevara a Genebra durante uma visita oficial. O encontro inspirou-o a atuar dentro do sistema para promovê-lo, estratégia que moldou boa parte de sua atuação pública. O Che aconselhou-o a lutar desde o coração do sistema.

Depois, consolidou papel de destaque na ONU como relator especial para o Direito à Alimentação e integrou o Comitê Asesor do Conselho de Direitos Humanos. Também atuou como professor na Universidade de Genebra e na Sorbonne.

Ao longo de sua produção acadêmica, publicou cerca de 30 livros. O último, aos 90 anos, coloca em foco crises globais como guerras, fome e desigualdades, sob o título que pergunta: Onde está a esperança?

A trajetória de Ziegler inclui uma curiosa ironia: seu avô fundou a União Democrática do Centro (UDC), hoje o maior partido conservador da Suíça. A atuação dele, contudo, permaneceu marcada pela defesa de políticas sociais e transparência financeira.

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