- México pode usar a Copa do Mundo para ampliar sua presença internacional e reforçar a imagem de abertura, contrastando com a postura dos EUA, que tem dificuldade de receber turistas e torcedores.
- Em Monterrey, torcedores mexicanos saudaram o time iraquiano durante a classificação do Iraque para a Copa de 2026, destacando um ambiente multicultural.
- Nos Estados Unidos, restrições de imigração e batidas de autoridades levantam dúvidas sobre a receptividade a fãs internacionais, o que pode afetar o soft power americano.
- México e Canadá promovem festivais de fãs abertos e buscando atrair visitantes, com destaque para a boa relação entre custo de turismo e tradições locais; alguns eventos são gratuitos.
- Ainda há incertezas: há preocupações com segurança e com protestos, além de o México ter menos jogos (treze) que os demais anfitriões, o que pode limitar o interesse local.
Bilal Lafta, um desenvolvedor de software iraquiano-americano de 27 anos, assistiu à vitória do Iraque sobre a Bolívia em Monterrey, no México, em março. A equipe garantiu vaga para a Copa do Mundo de 2026, que começará em 11 de junho em Cidade do México. O momento abriu festa entre torcedores locais.
Após o triunfo, milhares de mexicanos cercaram o bairro para celebrar. Em frente ao estádio, uma policial permitiu que iraquianos subissem ao carro para dançar com a bandeira do Iraque. Lafta elogiou a combinação de multiculturalidade e segurança do cenário, destacando a diferença em relação aos EUA.
Soft power regional e diplomacia
Especialistas apontam que Canadá e México podem colher benefícios de imagem por acolherem fãs internacionais, com governo promovendo diversidade. México, tradição de futebol e preços atrativos para turistas ajudam a criar atmosfera positiva, ainda que haja variações na experiência de cada visitante.
No entanto, o repensar da relação EUA-México, marcado por políticas de imigração e tensões comerciais, desacredita a ideia de plena unidade regional. A atual narrativa de cooperação entre as três nações já enfrenta dúvidas, especialmente diante de tarifas e retórica de políticas de fronteira.
Segurança, turismo e custos
Autorizados festivais de fãs em Guadalajara, Cidade do México e Monterrey devem atrair milhões de pessoas, com entradas gratuitas em alguns eventos. Em contraste, nos EUA, autoridades locais preparam segurança para o público, e há receio de detenções e buscas excessivas em aeronaves e locais públicos durante o Mundial.
Dados de turismo indicam crescimento no México e queda de visitantes no país vizinho. Entre os fatores, a entrada sem visto para diversas nacionalidades no México e a percepção de um país mais aberto podem influenciar a presença de torcedores na Copa.
Desafios internos e participação popular
Entre os desafios do México estão o custo de ingressos e a disponibilidade de jogos, que podem reduzir o interesse local. O país sediou a Copa em 1970 e 1986, com ícones históricos do futebol. Protestos de professores e familiares de desaparecidos também podem marcar o período do evento.
Oficiais mexicanos asseguram que a segurança terá alta atenção e que a presença de torcida estrangeira pode reforçar a imagem de hospitalidade. O governo espera que as festividades públicas contribuam para uma vistoria internacional mais positiva do país.
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