- Lula afirmou que os EUA mentem ao impor tarifa de 25% ao Brasil com base em investigação comercial aberta na semana passada, ligada ao desmatamento.
- Evento em Brasília anunciou queda de 61,4% nos alertas de desmatamento da Amazônia e de 12,2% no Cerrado em maio, na comparação com o mesmo mês do ano anterior.
- Ele disse que vão comparar dados do Brasil com os dos EUA e pediu que as informações sejam enviadas ao setor de comércio dos Estados Unidos, criticando a taxação anterior de 50%.
- A investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos aponta deficiências na fiscalização, fraudes em cadastros ambientais, extração ilegal, conversão de terra e suborno para lavar a produção; 91% do desmatamento na Amazônia e 51% no Cerrado ocorreriam na ilegalidade entre 2023 e 2024.
- Lula ressaltou que o Brasil tem credibilidade para discutir questões ambientais e citou a necessidade de considerar outras condições de negociação, como a situação de trabalhadores nos EUA.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira que os Estados Unidos mentem ao justificar uma tarifas de 25% sobre o Brasil, usadas para punir o país por suposto desmatamento. A declaração ocorreu durante evento em Brasília, onde o governo informou também queda de 61,4% nos alertas de desmatamento na Amazônia e de 12,2% no Cerrado em maio, em relação ao mesmo mês do ano anterior.
Segundo Lula, há discrepâncias entre a narrativa de desmatamento americano e as ações no Brasil. Ele disse que, ao comparar dados, ficará claro que o Brasil reduz impactos ambientais enquanto os EUA utilizam a cobrança comercial como ferramenta de pressão. O presidente citou a necessidade de deixar claro ao público norte-americano o que afirma ser feito pelo Brasil para zerar o desmatamento até 2030.
Lula criticou ainda a condução da fiscalização nos Estados Unidos, destacando que há falhas no mecanismo de fiscalização ambiental, o que, para ele, não justifica medidas unilaterais contra o Brasil. O presidente pediu à sua equipe um levantamento sobre as condições de trabalho nos EUA para comparar com o Brasil.
A reação de Lula faz parte de uma sequência de críticas públicas ao uso da acusação de desmatamento para justificar tarifas, após o Escritório do Representante Comercial dos EUA anunciar a penalidade na semana passada. A investigação menciona deficiências na fiscalização ambiental e irregularidades em cadastros rurais, além de práticas de ilegalidade no desmatamento.
Dados da investigação dos EUA
A investigação cita fraudes em Cadastros Ambientais Rurais, extração irregular de madeira e conversão de áreas para pastagem. Indica também supostos subornos a agentes públicos para ocultar atividades ilegais. Entre 2023 e 2024, alega que parte relevante do desmatamento ocorreu de forma ilegal na Amazônia e no Cerrado.
Outros pontos mencionados
Além do desmatamento, a investigação aponta alegações de práticas comerciais discriminatórias no Brasil, como impactos de mecanismos de pagamento eletrônico, bem como questões relacionadas à regulamentação de grandes empresas de tecnologia, trabalho forçado e pirataria. O documento cita fatores que, segundo os norte-americanos, afetam o ambiente de negócios entre os dois países.
Entre na conversa da comunidade