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Deslocados caem pela primeira vez em uma década, mas milhões retornam a países ainda em guerra

Deslocados caem pela primeira vez em uma década, mas retornos forçados a países still marcados pela violência elevam riscos de proteção, alerta Acnur

Niños del campo de desplazados internos de Al Karama cerca de Idlib, en Siria, el 19 de mayo pasado.
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  • Em 2025, 117,8 milhões de pessoas estiveram deslocadas por conflitos ou violência, queda de 4% em relação a 2024, o primeiro recuo em uma década.
  • a diminuição não indica melhoria global, mas retornos em massa a países de origem, onde a violência persiste e serviços são precários.
  • Sudão, Afeganistão e Síria concentram a maior parte dos retornos, com Sudão registrando 651.500 refugiados retornados e 2,9 milhões de deslocados internos.
  • Na União Europeia, o clima político migratório se endurece: Alemanha suspendeu parte de programas de admissão humanitária; 19 estados da UE e Noruega buscam acordos para retornos de afegãos sem proteção, com a supervisão de Bruxelas.
  • Países pobres abrigam a maior parte dos deslocados: 65% ficam em países vizinhos; Irã, Uganda, Turquia, Alemanha, Colômbia e Chad são os seis principais destinos de acolhimento.

O número de pessoas forçadas a deixar suas casas recuou pela primeira vez em uma década, chegando a 117,8 milhões em 2025. A queda de 4% em relação a 2024 ocorre apesar de conflitos persistirem. A motivação não é maior segurança mundial, e sim retornos em países devastados.

O relatório Global Trends 2025, da Acnur, aponta que milhões retornam aos seus países, ainda marcados pela violência e pela falta de serviços básicos. O Idmc também registra tendência semelhante, ampliando o debate sobre proteção internacional.

Países de origem concentram a maioria dos retornos: Afeganistão, Síria, Venezuela, Ucrânia e Sudão respondem por grande parte dos fluxos. Entre eles, Sudão registra 651.500 refugiados retornados e 2,9 milhões de deslocados internos.

O Afeganistão lidera os retornos, com até 2,9 milhões de pessoas regressando no ano passado, 1,9 milhão delas refugiadas. A situação econômica e política continua crítica, com restrições aos direitos de mulheres e meninas.

Regressos no contexto sírio também aparecem, apesar da continuidade de violência e precariedade nos serviços públicos. Outros países com fluxos expressivos incluem Ucrânia e Venezuela, por razões diversas, incluindo crises políticas e econômicas.

Na União Europeia, o endurecimento de políticas alimenta a tensão entre proteção internacional e retorno de afegãos. Alemanha suspendeu parte de programas de admissões humanitárias em 2025, e a UE negocia com autoridades talibãs para facilitar retornos.

Vários Estados-membros da UE, mais a Noruega, solicitam à Comissão Europeia vias para devolver cidadãos afegãos em situação irregular. O objetivo é criar uma política comum de retornos voluntários e forçados, apesar de avisos da Acnur sobre riscos de proteção.

Essas mudanças ocorrem em meio ao Pacto Europeu de Migração e Asilo, que busca acelerar procedimentos e ampliar devoluções. Bruxelas debate ainda ampliar retornos, inclusive com centros de deportação em terceiros países.

Segundo a Acnur, o direito de asilo é uma obrigação internacional de longa data, não mera concessão política. O foco permanece na proteção de quem realmente precisa de refúgio, mesmo diante de políticas de restrição migratória.

Os dados indicam que a maior parte dos refugiados não fica em países ricos. Cerca de 65% procura proteção em países vizinhos, evidenciando o papel de nações de baixa renda na acolhida de refugiados.

Entre os principais países de acolhimento estão Irã, Uganda, Turquía, Alemanha, Colômbia e Chade, que recebem grandes números de refugiados e pessoas necessitadas de proteção.

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