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Proprietária de produtora ligada aos Bolsonaro era investigada há quase 10 anos

Dona da produtora do filme de Bolsonaro já era alvo de investigações por superfaturamento e desvio de recursos há quase uma década, aponta CGU

Pôster do filme Dark Horse
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  • Karina Gama, dona da produtora do filme sobre Jair Bolsonaro, já era alvo de investigações por mau uso de dinheiro público há quase uma década.
  • Relatórios da Controladoria-Geral da União mostram irregularidades ligadas ao Instituto Conhecer Brasil, ONG que coordenou o projeto “Dark Horse” e compartilhava endereço com a produtora.
  • As suspeitas incluem superfaturamento e desvio de recursos públicos, com indícios remontando a 2019 e contratos vinculados ao Sesi (Serviço Social da Indústria).
  • A relação com a oposição e o bolsonarismo ocorreu por meio de influenciadores, políticos de direita e de apoio a Mário Frias; contratos milionários foram firmados com o poder público mesmo sob investigações.
  • Hoje, as atividades de Karina são alvo de apurações da Polícia Federal, da Polícia Civil de São Paulo e do Supremo Tribunal Federal.

Dona da produtora responsável pelo filme que dramatiza a vida de Jair Bolsonaro era alvo de investigações por mau uso de dinheiro público há quase uma década. A informação, veiculada pelo The Intercept Brasil e confirmada pela coluna, baseia-se em relatórios da Controladoria-Geral da União sobre a atuação do instituto Conhecer Brasil, chefiado por Karina Gama, junto ao Sesi. As suspeitas envolvem superfaturamento e desvio de recursos públicos, com dados que remontam a 2019.

Segundo os documentos, a ONG vinculada a Karina manteve contratos com o Sesi e, em alguns casos, subcontratou empresas para serviços milionários. O relatório aponta que a mesma infraestrutura abriga a produtora do filme Dark Horse, além de compartilhar endereço e estrutura. Auditores destacaram que a diferença entre endereços era apenas o número de salas.

A relação com o universo bolsonarista está ligada a contatos da investigada com o deputado Mário Frias e parte do MDB. Com a ascensão da direita ao poder, Karina ampliou negócios com contratos de grande vulto, incluindo ações na prefeitura de São Paulo para implementação de sinal público de internet, serviço que não teria sido plenamente entregue.

O repasse de recursos ganhou ainda maior atenção após revelar-se que o filme de Bolsonaro recebeu apoio financeiro que, segundo investigações, envolveu atores e financiadores próximos a figuras da oposição ao longo dos anos. O montante de patrocínios públicos evoluiu de denúncias de cerca de 1,5 milhão de reais para valores substancialmente maiores em episódios subsequentes.

Em 2021, a CGU descreveu falhas no acompanhamento de contratos de patrocínio com o Sesi e recomendou medidas para interromper novos patrocínios e fortalecer a prestação de contas. A orientação também foi compartilhada pelo próprio Sesi, que indicou cautela ao contratá-la novamente.

Atualização das apurações aponta que Karina já enfrentou investigações de outras vias, incluindo a Polícia Federal, a Polícia Civil de São Paulo e o Supremo Tribunal Federal. A CGU ressaltou que, mesmo com recomendações, houve continuidade de atuação ligada a projetos patrocinados por ela.

Investigadores públicos destacam que, mesmo diante de processos em andamento por parte de órgãos federais e estaduais, contratos com entidades associadas a Karina continuaram a ocorrer. O andamento das apurações aponta para uma análise de eventuais danos aos cofres públicos e responsabilidades administrativas.

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