Em Alta Copa do Mundo NotíciasFutebol_POLÍTICA_Brasileconomia

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Mostre o Dinheiro: análise sobre financiamento e orçamento

Public shaming no Instagram força elites sírias a cumprir promessas de reconstrução, gerando pagamentos e maior transparência/ prestação de contas

A screenshot from one of Hassan Akkad's videos atop an image of a damaged street in Homs, Syria.
0:00
Carregando...
0:00
  • Hassan Akkad, uma figura de mídia síria, ganhou notoriedade online ao apontar promessas não cumpridas de. Mousa al-Omar, figura influente, incluindo um compromisso de $ 10 mil para Homs; Omar respondeu anunciando $ 40 mil em projetos, mas afirmou que não foi por pressão.
  • Akkad seguiu a cobrança publicamente em vídeos e visitas a Homs, gerando registro de pela população nas ruas; o episódio ajudou a lançar uma campanha de responsabilização chamada “Give us the money that you owe!”.
  • O movimento resultou em respostas efetivas: a lista de promessas não cumpridas fica disponível no Syrian Development Fund; mais de $ 20 milhões vieram de leilão de frotas de carros de luxo confiscadas de Assad.
  • Eventos nacionais de arrecadação na Síria, incluindo Aleppo, levantaram centenas de milhões de dólares, mas grande parte das promessas não foi efetivamente recebida; apenas uma parcela foi recolhida pelos governos locais.
  • Contexto econômico: custo de reconstrução estimado em $ 216 bilhões pela World Bank; mais de 90% da população vive abaixo da linha da pobreza; há promessas de investimentos internacionais, mas a melhoria prática ainda é lenta.

Hassan Akkad tornou-se símbolo de uma nova praça pública na Síria: satire, redes sociais e cobrança pública de promessas de reconstrução. Em vídeos no Instagram, Akkad chamou a atenção para promessas não cumpridas de figuras proeminentes ligadas ao regime, incluindo Mousa al-Omar, figura próxima ao presidente Bashar al-Assad.

O episódio central ocorreu em uma sequência de publicações que começou com Akkad apontando omissões de Omar, que havia se comprometido com projetos de reconstrução em várias cidades após a queda do regime. O montante destacado foi de 10 mil dólares destinados a Homs, até então não pago.

A reação de Omar foi bloquear Akkad. Em resposta, Akkad seguiu para Homs, usando megafone de carro para cobrar pessoalmente o pagamento, enquanto moradores gravavam a cena. Pouco depois, Omar divulgou um vídeo anunciando novos projetos de reconstrução no valor de 40 mil dólares para a cidade.

A resposta do público foi imediata: no dia seguinte, o dinheiro prometido chegou. A ação de Akkad nasceu de uma série de críticas sobre a falta de cumprimento de promessas de doadores abastados, muitos aliados ao governo.

A trajetória de Akkad na Síria

Akkad, originalmente exilado, retornou a Damasco recentemente após 14 anos fora. O ativista e cineasta passou a compartilhar observações sobre a realidade no pós-guerra, começando com uma série de publicações com tom de humor seco e críticas sociais.

Em suas primeiras séries, ele apresentava uma visão sarcástica do turismo no país, destacando serviços locais e problemas urbanos. Aos poucos, passou a abordar questões de governança, como nepotismo, clientelismo e abuso de poder, conectando-as a promessas não cumpridas.

A evolução do conteúdo levou Akkad a criticar a chamada justiça transacional e o ativismo performático. Ele passou a questionar a capacidade de negócios abastados de se reinserirem no país sem cumprir compromissos públicos, impulsionando a campanha Give us the money that you owe.

Impactos e desdobramentos

Eventos nacionais de angariação de fundos para reconstrução, realizados em Damasco, Homs, Daraa e Idlib, reuniram verbas bilionárias, com participação de figuras ricas e influentes. Contudo, muitos recursos não foram integralmente liquidáveis, segundo o registro do Syrian Development Fund.

A iniciativa de Akkad desencadeou resposta institucional: o fundo de doadores passou a acompanhar mais de perto os compromissos, com registros de não cumprimento. Em alguns casos, governos locais indicaram evolução na cobrança de promessas.

A mobilização ganhou adesão popular, com voluntários, jornalistas e designers formando a Stunning Studio para sustentar a campanha. Além disso, houve relatos de apoio de cidadãos comuns e de profissionais da saúde mental que consideraram o movimento como forma de reparo cívico.

Contexto econômico e político

Mesmo com avanços diplomáticos e reinserção financeira, a reconstrução de Síria continua cara. Estudos estimam custos acima de centenas de bilhões de dólares, enquanto a população enfrenta inflação, queda de serviços e ruínas físicas. O país depende de investimentos internacionais, ainda limitados por sanções.

Relatos apontam que, embora haja promessas de investimento, a aplicação prática de recursos permanece aquém do necessário para a população. A narrativa pública tem sido marcada por cobrar transparência e accountability nas ações de reconstrução.

Olhar sobre o futuro

A campanha de Akkad não pretende encerrar a cobrança; a próxima etapa é mapear como cada promessa está sendo gasta, com documentação contínua. A equipe planeja registrar, ponto a ponto, os projetos de reconstrução em todo o país, reel por reel.

O movimento demonstra uma mudança de engajamento cívico: cidadãos somam pressão pública para exigir cumprimento de promessas, algo que, segundo Akkad, não era praticável sob regimes anteriores. A direção é que o público continue sendo protagonista nesse tema.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais