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Voto virtual na Câmara dá a Motta poder sobre temas sensíveis com plenário vazio

Voto remoto na Câmara aumenta produtividade, mas deixa plenário vazio em temas sensíveis, suscitando questionamentos sobre legitimidade e transparência

Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos - PB) e o deputado Arthur Lira (PP - AL), durante entrevista à imprensa, em 01/10/2025 . — Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
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  • O Sistema Remoto de Votações permite registrar presença e votar por aplicativo, mesmo com plenário esvaziado em sessões presenciais.
  • A Câmara exige votação presencial apenas às quartas-feiras, das 16h às 22h, mas o voto pode ocorrer remotamente.
  • Especialistas dizem que houve aumento de produtividade, mas queda de qualidade e de participação efetiva nos debates sobre temas polêmicos.
  • A disponibilidade de quórum à distância pode reduzir a pressão pública e a presença física no plenário, segundo pesquisadores.
  • Casos recentes incluem votações de projetos que beneficiam partidos e igrejas, além de propostas que afetam a fiscalização ambiental e áreas protegidas na Amazônia.

O sistema remoto de votações (SDR) da Câmara dos Deputados nasceu para manter o funcionamento da Casa durante a pandemia. Hoje, especialistas dizem que ele se tornou ferramenta de defesa de parlamentares em temas sensíveis, com plenário frequentemente vazio.

A prática permite que deputados votem por aplicativo, mesmo ausentes do plenário. O presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) tem usado o mecanismo para pautar matérias controversas, mantendo quórum sem a presença física.

Os efeitos aparecem em projetos polêmicos que avançam com participação baixa no plenário. Em votações recentes, poucos parlamentares estiveram presentes, e apenas alguns discursaram.

O que mudou na Câmara

O SDR foi regulamentado em 2020 para registrar presença e votar por meio de um aplicativo, evitando aglomerações. Após a pandemia, a presença passou a ser presencial apenas às quartas, das 16h às 22h, com voto remoto permitido.

Com o tempo, o voto remoto passou a favorecer a eficiência, mas reduziu o debate público sobre as votações. Estudos apontam que o quórum pode ser garantido sem a presença concomitante de parlamentares.

Quem comenta

Especialistas destacam que a modalidade altera a legitimidade do processo. A formação do quórum fica menos ligada à presença física, o que difere do funcionamento tradicional do plenário.

Para a cientista política Lara Mesquita, o sistema híbrido desloca parte das negociações para ambientes menos visíveis ao público. Ela alerta para o enfraquecimento do debate.

Impactos na produção legislativa

Analistas veem aumento de produtividade, com tramitação mais ágil. Contudo, indicam que debates são menos profundos quando há voto remoto constante, o que pode afetar a qualidade das deliberações.

Murilo Medeiros ressalta que a modernização trouxe ganhos, mas deixou espaço para que reformas importantes avancem com menos contestação pública.

Casos recentes

Projetos de interesse político, como medidas a partidos e a ampliação de imunidade tributária de igrejas, foram aprovados com plenário esvaziado e voto remoto. Os debates tiveram participação limitada.

Especialistas afirmam que esse padrão ocorre quando a pauta envolve temas sensíveis que exigiriam maior quórum e debate presencial.

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