- Mãos dadas entre Pashinián, pró‑ocidental, e Samvel Karapetyan, pró‑Rússia, definem as eleições parlamentares da Armênia, neste domingo, em contexto de memória ainda dolorosa pela perda de Nagorno Karabaj.
- A disputa representa mais que mudança de governo: envolve o direcionamento geopolítico do país entre a Rússia, a União Europeia e o Cáucaso.
- A campanha tem sido marcada por acusações de ingerência estrangeira, detenções de opositores, denúncias de compra de votos e uma radicalização do discurso público.
- A tensão com a Rússia aumenta, enquanto a União Europeia e os Estados Unidos aumentam o apoio a instituições armênias para conter desinformação e influência externa.
- Karapetyan ficou conhecido por defender mudanças constitucionais para facilitar acesso ao cargo de primeiro‑ministro, enquanto Pashinián defende alterações para consolidar o acordo de paz com Azerbaiyão.
Armenia enfrenta neste domingo eleições parlamentares que vão além da política interna. O país, com 2,9 milhões de habitantes, vive tensão entre Ocidente e Rússia, em um contexto de fragilidade após a derrota em Nagorno Karabaj. O atual governo, liderado por Nikol Pashinián, tenta manter o rumo pró-ocidental diante de um adversário cada vez mais importante na oposição.
A disputa coloca em evidência o confronto entre o primeiro ministro proocidental e Samvel Karapetyan, empresário russo-armenio e líder de Armenia Fuerte. A candidatura de Karapetyan representa uma mudança de margens no espectro político, com críticas à dependência de Moscou.
O pleito ocorre em meio a acusações de injerência estrangeira, campanhas de desinformação e forte polarização. Observadores veem as eleições como um barômetro da relação de Armenia com Rússia, Estados Unidos e União Europeia, no cenário do Cáucaso.
O que está em jogo
Nikol Pashinián chega com pequena vantagem nas sondagens, mas sem o pico de apoio de 2018. Sua gestão é marcada pela tentativa de consolidar a paz com Azerbaiyão e reduzir a influência russa, sob críticas internas.
Samvel Karapetyan, por sua vez, utiliza a formação Armenia Fuerte para defender uma agenda mais autônoma em relação a Moscou. A candidatura dele depende de apoio significante para influenciar o equilíbrio de poder no Parlamento.
Contexto geopolítico
Rússia mantém presença marcante na campanha, enquanto a União Europeia e os Estados Unidos aumentaram a atenção diplomática. Washington busca fortalecer o compromisso com a paz regional, já Brüssel amplia apoio a instituições para enfrentar desinformação e pressão externa.
Relatórios sugerem interferência para atrair eleitores de russo que residem na Armênia, elevando dúvidas sobre a integridade do pleito. Autoridades econômicas locais reagiram com declarações que alimentam câmaras de tensão entre Erevã e Moscou.
Tensões internas e legais
A campanha é marcada por episódios de violência verbal, detenções e acusações de compra de votos. Fraturas pela guerra de Karabaj alimentam protestos, com críticas de opositores à condução governamental.
Vários suspeitos ligados a Armenia Fuerte foram detidos por supostos crimes eleitorais, enquanto a oposição contesta as ações judiciais como instrumento político. O clima é de alerta para o desenrolar do pleito.
Caminhos constitucionais
Ambos os candidatos defendem mudanças na Constituição, ainda que por motivações distintas. Pashinián defende alterações para facilitar a cooperação com Azerbaiyán, removendo referências que possam ser interpretadas como reivindicações territoriais sobre Karabaj.
Karapetyan defende flexibilizar requisitos para a função de primeiro ministro, incluindo a remoção de barreiras relacionadas a segunda cidadania. Ele renunciou a passaportes russo e cipriota para concorrer.
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